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JULIA VITA: Do Norte Pioneiro para o Palácio do Itamaraty

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A carreira diplomática é para poucos. São anos dedicados ao estudo para poder representar o Brasil em suas relações com outros países ou organismos internacionais. A jovem jacarezinhense Julia Vita de Almeida, de 28 anos, acaba de ser empossada diplomata e contou à Folha Extra quais suas impressões do Itamaraty, suas aspirações na carreira e das raízes e relações que mantém com Jacarezinho e o Norte Pioneiro.

Mas, você sabe o que faz um diplomata? É ele quem busca solucionar os conflitos envolvendo os interesses brasileiros, negocia acordos que tragam benefícios ao país e promove sua cultura no exterior. É o diplomata quem conduz a política externa em diversos temas como comércio exterior, proteção de direitos humanos, discussões sobre meio ambiente e tecnologia. São também os diplomatas responsáveis pelas embaixadas e consulados brasileiros espalhados por todo o mundo.

 

FOLHA EXTRA – Há quanto tempo você está no Itamaraty? Como foi o início da carreira diplomática?

 

Julia Vita – Fui empossada diplomata em 04 de julho deste ano, estou realmente no início da carreira. O que posso relatar, portanto, são minhas primeiras impressões sobre a nossa diplomacia.

Em primeiro lugar, o que chama a atenção é o alto nível intelectual e de comprometimento dos servidores do Itamaraty. Trata-se de um ministério bem organizado e reconhecido mundo afora pela competência na prestação dos seus serviços.

Em segundo lugar, fiquei contente em sentir a diversidade dos aprovados no concurso comigo. Minha turma, por exemplo, tem sete mulheres em um total de 18, o que é bastante para uma instituição tradicionalmente composta por maioria masculina.

Finalmente, percebi que, pela variedade dos temas tratados pela política externa brasileira, cada diplomata pode fazer uma carreira diferente, ou, como se diz, encontrar seu próprio nicho no seio do ministério. Em outras palavras, as opções são realmente variadas: é possível focar a carreira em relações bilaterais ou multilaterais, diplomáticas ou consulares, em temas de comércio, direitos humanos, segurança, meio ambiente, entre outros. Seja qual o caminho escolhido, o interessante é que o diplomata sempre trabalha em uma perspectiva macro e nunca perde de vista a necessidade de se valer da política externa para promover o desenvolvimento do Brasil.

 

FE – O que significa para você sair de Jacarezinho para assumir uma responsabilidade tão grande que é ser diplomata?

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JV – Para mim significa, por um lado, que a gente vive em um país onde a meritocracia é respeitada e onde há imparcialidade no concurso para o serviço exterior – do contrário, eu não teria passado.

Eu nasci e vivi em Jacarezinho até os 16 anos e foi lá onde tive minha formação intelectual, emocional e social mais valiosa. Com o aprendizado e o apoio que tive da minha família e na escola, consegui passar no vestibular para a Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP), em São Paulo. É de lá de onde saiu, historicamente, grande parte de nossos diplomatas, por isso escolhi esse curso e essa faculdade.

Por outro lado, significa que, por mais distante e difícil que uma carreira como essa possa parecer, é perfeitamente possível, basta querer. Eu nasci e vivi em Jacarezinho até os 16 anos e foi lá onde tive minha formação intelectual, emocional e social mais valiosa. Com o aprendizado e o apoio que tive da minha família e na escola, consegui passar no vestibular para a Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP), em São Paulo. É de lá de onde saiu, historicamente, grande parte de nossos diplomatas, por isso escolhi esse curso e essa faculdade.

 

FE – Qual seu atual cargo no Itamaraty? Quais as funções?

 

JV – Ingressamos na carreira como Terceiro Secretário, cujas funções dependem da área em que se trabalha. No momento, estou fazendo o curso de formação do Instituto Rio Branco, que tem o status de estágio probatório, com duração de um ano e meio. A grade do curso inclui diversas matérias, tanto teóricas quanto práticas, e idiomas. São quatro os idiomas obrigatórios: inglês, francês, espanhol e chinês, árabe ou russo. Optei pelo chinês.

 

FE – Quais suas aspirações na carreira diplomática?

 

JV – Neste um ano e meio de curso de formação definirei em quais áreas desejo atuar. Como aspiração geral, farei de tudo para prestar um serviço público eficiente e de qualidade. É uma honra representar o Brasil no exterior, e pretendo fazê-lo à altura do imenso potencial de nosso país.

 

FE – Espera assumir um cargo no exterior em quanto tempo?

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JV – Na forma como a carreira está atualmente regulada, devo, ao final do curso de formação do Rio Branco, permanecer, no mínimo, dois anos servindo aqui no Brasil. Passados esses dois anos, poderei ser removida para o exterior.

 

FE – O que você tem a dizer às pessoas que têm o sonho de seguir a diplomacia?

 

JV – O que tenho a dizer é que vale a pena. Embora o concurso de admissão seja difícil, não é impossível. É uma carreira aberta a todos os brasileiros natos com curso superior, seja ele qual for.

Dependendo do momento da vida em que se optar pela diplomacia, a preparação para o concurso tem desafios diferentes. É preciso, antes de tudo, adquirir fluência em inglês, francês e espanhol. Em seguida, mergulhar nos tópicos do edital do concurso, que envolvem Direito Internacional e Constitucional, Economia, Política Internacional, História Geral, História do Brasil, Geografia e Português. Escrever bem é essencial, pois a segunda e a terceira fase são provas dissertativas.

O concurso não tem mais fase oral, como antigamente, vale lembrar. Há seleção anual de bolsa de estudos para afrodescendentes e, a partir de 2015, 20% das vagas lhe serão reservadas. Portadores de deficiência também têm cota de vagas – neste ano foi apenas uma, mas isso se deu porque o número de vagas havia baixado de 30 para 18 em relação ao ano de 2013.

A preparação para o concurso, por envolver tantos campos de conhecimento diferentes, é interessante porque nos dá uma visão geral e, ao mesmo tempo, profunda sobre o Brasil. Mesmo na eventualidade de se desistir de prestar o concurso, a bagagem adquirida, sem dúvida, permitirá ao candidato se readaptar ao mercado de trabalho com certo conforto.

Além de dizer que vale a pena o desafio, minha sugestão aos que sonham com a diplomacia é pensar a carreira de maneira realista e prática. A carreira exige uma dedicação constante tanto em termos profissionais, como pessoais, afinal, é preciso estar disposto a servir o país em postos no exterior. Desmistificar a diplomacia é importante não apenas para descobrir se realmente temos o perfil para a carreira, como também para entender que ela está mais próxima de nossas vidas do que imaginamos.

Guilherme Capello

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Cidades

Wenceslau Braz completa 72 horas sem novos registros da Covid-19; saúde pede cautela

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O departamento de saúde do município confirmou no fim da tarde desta sexta-feira, a conclusão de 72 horas sem novos registros da Covid-19 em Wenceslau Braz. De terça-feira (19), para cá não houve alteração no quadro de registros de coronavírus na cidade.

A saúde brazense que tem confirmado até o momento oito casos da doença comemora o fato de nos últimos três dias ter o quadro epidemiológico estacionado. Das oito confirmações, quatro permanecem em isolamento domiciliar e outras quatro já estão recuperadas, ainda segundo a secretaria.

Mesmo sem confirmações de novos casos o departamento de saúde pede cautela à população, para que continuem em isolamento social, evitando aglomerações e principalmente, respeitando as medidas de seguranças, como o uso de máscaras e álcool em gel.

O último boletim é alivio para o município que segundo as informações, segue com cerca de 200 pessoas em processo de monitoramento, das quais tiveram contato com os pacientes que positivaram para a doença.

Boletim de SESA com novos casos na região, óbito em São José da Boa Vista e recuperados da 19ª Regional

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