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Wenceslau Braz

Abelhas sem ferrão podem ser criadas em casa; confira dicas

Meliponicultor destaca pontos importantes para quem deseja começar a atividade; insetos são responsáveis por polinização de inúmeras espécies da flora

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Já imaginou criar abelhas sem ferrão no quintal, ou mesmo dentro de casa? Essa prática tem se tornado cada vez mais comum entre os brasileiros, afinal, o País é casa para mais de 200 espécies nativas e no Paraná existe 35 espécies catalogadas.

Por ter se popularizado, a atividade pode parecer simples, mas requer atenção às normas e conhecimento sobre as abelhas. É o que explica o Meliponicultor Bruno Azevedo. “Eu sempre recomendo que, antes de procurar por iscas e pela caixa, a pessoa busque por informação. Nós temos bastante literatura sobre abelhas nativas, por isso antes de ter, é preciso estudar”, diz.

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No ‘roteiro’ de estudos de um aspirante à meliponicultora destacam-se alguns capítulos importantes. “As pessoas precisam se ater ao nome científico, porque nome popular gera muita confusão, por exemplo: existem pelo menos 10 ou 12 espécies popularmente conhecidas como uruçu-amarela, mas só duas delas ocorrem no estado do Paraná. Se não checar, o criador acaba tento problemas na compra por não se comunicar direito”, diz.

Espécies indicadas para a produção de mel

  • uruçu (Melipona scutellaris),
  • tiúba (Melipona fasciculata),
  • jandaíra (Melipona subnitida),
  • uruçu-cinzenta (Melipona manaosensis),
  • mandaçaia (Melipona quadrifasciata anthidioides)
  • jataí (Tetragonisca angustula)

Uruçu é uma palavra que vem do tupi “eiru su”, que nessa língua indígena significa “abelha grande. Essa nomenclatura está relacionada com diversas abelhas do mesmo gênero, encontradas não só no Nordeste, mas também na região Norte. No Brasil, existe a Uruçu amarela (Melipona rufiventris), bem como a Uruçu Verdadeira ou Uruçu do Nordeste (Melipona scutellaris).

Com a certeza sobre o nome da espécie, o próximo passo é avaliar a área de ocorrência da abelha, item crucial na hora de investir na criação de abelhas sem ferrão. “É importante negociar com meliponicultores da região que você mora, garantindo que aquela espécie ocorre naturalmente no local. Não adianta morar no Paraná e criar uma abelha típica do Mato Grosso só porque ela é bonita”, reforça Bruno.

“Anos atrás era muito comum ver enxames de abelhas trazidas de caminhão do Maranhão. Na época o pessoal criou uma demanda sobre essa espécie, mas hoje é difícil encontrá-las aqui, porque a maioria morreu”, lembra.

Outro problema possivelmente provocado pela criação de espécies exóticas para a região é o desequilíbrio ambiental. “No caso das que sobrevivem, quanto mais adaptada maior a chance da abelha se reproduzir no ambiente e causar um impacto ambiental negativo, como invasora”.

Abelhas por perto

“Eu costumo dizer que hoje, no Brasil, a criação de abelhas sem ferrão é a melhor atividade possível pra ser exercida. Além de ser um mercado em ascensão, você promove diversos benefícios para o meio ambiente”, destaca Bruno, que mesmo morando próximo ao centro da de Curitiba, percebe os frutos da criação das abelhas – literalmente.

“Depois que comecei a criar percebi muito mais frutificações nas árvores aqui do bairro. O serviço mais importante das abelhas é a polinização. Muitas pessoas só lembram das abelhas pelo mel, mas ele é só uma consequência desse processo polinizador”, afirma.

Onde criar?

O Meliponicultor destaca que não é preciso ter muito espaço para criar as abelhas sem ferrão. O importante é garantir alimento e proteção. “Quem cria abelhas precisa pensar no plantio. Não adianta ter 500 caixas e não plantar nada, afinal, elas precisam de alimento. Além disso, as caixas devem estar protegidas do sol e da chuva”, diz.

Outro alerta importante é priorizar o distanciamento das colônias. “Existem espécies tolerantes que conseguem conviver lado a lado, mas outras são muito territorialistas, como borá, jataí e até a Mandaçaia. A orientação é mantê-las o mais distante possível: no caso das jataís, no mínimo com cinco ou seis metros de distância. Procure também manter as entradas das colônias em direções opostas, para que não haja cruzamento dos indivíduos durante o voo”, finaliza Bruno.

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FonteG1

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