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Ruínas de uma fazenda guardam dois séculos de história e a herança dos quilombolas

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De Arapoti – Especial

Maio de 2013

 

Nesta reportagem originalmente publicada em 29 de maio de 2013, a Folha Extra explorou dois grandes exemplos de que a cultura brasileira não valoriza seu patrimônio cultural. Hoje o que restou da herança dos quilombolas que viveram em Arapoti, estão dentro de uma fazenda particular, agora com guaritas e regras para visitação.

Trata-se de dois séculos de história revelada pela ruína de um pequeno cemitério com restos mortais de escravos dos anos de 1800, além de uma residência, ou que sobrou dela, com imagens que só ficaram nas lembranças dos seus descendentes.

 

Leia o resumo da reportagem da edição 951, de 29 de maio de 2013.

 

Duas ruínas, uma história. A fazenda Boa Vista, em Arapoti, guarda em suas terras dois valiosos elementos históricos: um antigo cemitério de escravos e um casarão do século retrasado – ou ao menos o que restou deles.

Localizadas às margens da PR-239, entre Arapoti e Ventania, as ruínas da fazenda Boa Vista “lutam” contra a ação do tempo, de vândalos e, principalmente, da falta de zelo para manter vivo um pedaço da história da escravidão na região.

Lamentavelmente as fontes para se obter dados precisos a respeito do local são escassas, ficando basicamente restrito a relatos de moradores das redondezas. No entanto, muitas coisas as ruínas contam por si só.

Casarão bicentenário em Arapoti. Mesmo protegido pelo patrimônio histórico, hoje essa
fachada não existe mais – Foto: Arquivo Folha Extra

 

Ao se chegar ali a impressão é de voltar no tempo. De longe é possível ver as paredes e o telhado de uma construção ainda imponente. De perto, a imponência é, em parte, substituída pelo aspecto de total abandono. Porém, sem ter nenhum tipo de informação é fácil notar que ali existe uma casa construída há provavelmente quase 200 anos e que foi a sede de uma fazenda de grande porte.

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Com paredes com quase um metro de espessura, é possível ver que a construção é de barro e que passou por reformas que podem ter a desfigurado no quesito originalidade, embora ainda tenha diversos traços de uma casa do século retrasado. A grande varanda separava a casa do pátio, que ainda tem restos de um muro de pedra.

Poucos metros a diante, à sombra de uma figueira com aparência centenária, um muro de pedras delimita o espaço de um antigo cemitério agora abandonado, com mato e túmulos parcial ou totalmente destruídos.

Nas inscrições das lápides pouca coisa remete de fato aos tempos da escravidão – o que não espanta, já que boa parte do que existe ali foi severamente deteriorado pela ação do tempo e de vândalos. No entanto, em uma pedra caída e envolta por mato devolve a certeza de que pessoas que viveram em senzalas foram sepultadas ali. O nome de Virgilino Caxambu, falecido em 19/06/1901 aos 22 anos de idade, é a prova da autenticidade da idade centenária atribuída ao local.

As ruínas que entregam a idade do “Cemitério de Escravos”. – Foto: Arquivo Folha Extra

 

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Logo aparece alguém que pode confirmar algumas das suspeitas. Alacir Xavier dos Santos tem três antepassados sepultados ali e tem a sua própria história em volta da fazenda Boa Vista. Nascido e criado nas redondezas, o trabalhador rural relembra histórias contadas pelo pai, familiares e amigos que chegaram a conviver com escravos. Alacir conta que o casarão abandonado era a sede da fazenda onde moravam os donos das terras, e que havia uma senzala por perto já consumida pelo tempo. De acordo com ele, o cemitério foi usado até anos atrás ainda por moradores da região e, de acordo com os relatos que ouviu, os primeiros corpos foram depositados ali em 1822.

“Muita coisa a gente já não sabe, já se perdeu com o tempo. Esse casarão mesmo está abandonado tem uns 20 anos”

“Muita coisa a gente já não sabe, já se perdeu com o tempo. Esse casarão mesmo está abandonado tem uns 20 anos. Agora ninguém pode mexer porque foi tombado pelo Patrimônio Histórico. Lá no cemitério já não se enterra mais ninguém e acabou ficando largado também”, lamenta.

O grande problema é que a cada dia que passa um pedaço da história regional desde a época da escravidão vai ruindo, junto com as já ruínas da fazenda Boa Vista. 

Você pode ver mais fotos e detalhes desta reportagem acessando o nosso portal, www.folhaextra.com. No site, dê o seu comentário e colabore com a cultura da nossa região.

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Máscaras de tecido inapropriado podem causar tontura e dor de cabeça

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Ao comprar ou confeccionar em casa uma máscara de proteção as pessoas devem tomar alguns cuidados, tanto com o tecido quanto com o tamanho da mesma.

Pedro Compasso, pneumologista no Super Dr. Saúde Integrada, em Ponta Grossa (PR), explica que algumas pessoas relatam dores de cabeça e tonturas devido ao uso prolongado da máscara de contenção. No entanto, esses sintomas neurológicos podem estar relacionados ao tecido da máscara, o qual “precisa evitar a projeção de partículas, mas não prejudicar a respiração”, afirma.
Segundo o médico, as máscaras impermeáveis e de tecidos muito grosso não permitirão a ventilação, a passagem do ar, o que seria o mesmo que a pessoa respirar dentro de uma câmera fechada.

“Essa concentração mais alta de gás carbônico que a própria pessoa fica jogando na máscara pode sim resultar em sintomas no corpo e sinais neurológicos, como tontura e dor de cabeça. Por isso, é importante que a máscara caseira seja de tecidos como TNT, tricoline e algodão, além de ser ajustável ao formato do rosto, cobrindo totalmente a boca e o nariz”, alerta.

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Outra recomendação é que a máscara de tecido seja trocada a cada duas horas, evitando a umidade da mesma. No momento de troca é importante não colocar as mãos no meio da máscara, já que o tecido pode estar contaminado. É preciso puxar pelos elásticos que envolvem as orelhas.
Em relação ao uso em crianças, o médico observa que a recomendação da APP (Academia Americana de Pediatria) é para que a máscara não seja utilizada em menores de dois anos de idade.

“O uso de máscaras em bebês menores de dois anos pode fazer com que os pequenos tenham dificuldades para respirar, pois eles contam com vias aéreas menores. O uso pode até mesmo levar ao sufocamento e ao estrangulamento. A orientação é evitar sair de casa com as crianças”, finaliza o especialista.

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