Opinião

A polícia matou, mas você não morreu

Em uma recente pesquisa divulgada de maneira um tanto tendenciosa pelo portal Gazeta do Povo, os dados mostravam que a polícia do Paraná, “mais uma vez” e, desta vez, mata mais do que qualquer polícia dos Estados Unidos.

Os números mostravam que apenas em 2017 foram 144 mortes, só no primeiro semestre, causadas pelas balas de uma arma policial. Em confronto direto com estas informações, a Secretaria de Segurança do estado divulgou na última quinta-feira (18), o balanço da criminalidade no território paranaense, os gráficos indicam uma diminuição nas ações criminosas. O roubo a comércios em todas as regiões do Paraná caiu: redução de 28,3% em Curitiba e 27,6% em todo o Estado.

Os assaltos a residências também diminuíram no ano de 2017 comparado a 2016: 26,8% em Curitiba e 9% em todo o estado. Já o roubo de veículos caiu 23,34% na capital e 9,5% no Paraná.

E enfim, os números que indicam a diminuição dos homicídios, que na Região Metropolitana de Curitiba foi de 15,3% e em todo o interior a queda registrada foi de 8%.

Mas afinal, o que essas duas informações incompatíveis mostram? Depende do público que a interpreta. Para alguns, o aumento das mortes por policiais soará como a marca deixada por uma ação truculenta e despreparada da polícia paranaense. Já para outros, a redução considerável da criminalidade (que deve ser visto como algo benéfico) é resultado de uma resposta mais contundente dos homens de farda, não necessariamente corelacionada às mortes.

Mas entre opiniões destras e canhotas, o número de mortes em confrontos policiais remete a uma realidade que nenhum dos dois estudos mostrou, as leis afrouxadas somadas à falência do sistema carcerário paranaense, no qual mais de 10 mil presos são mantidos em delegacias, a maior concentração do país.

É um boom sem precedentes, a falta de vagas motiva a seleção de presos, os mais perigosos ficam, os que cometeram crimes mais leves saem e voltam para as ruas, mas não eximem a polícia de recaptura-los, dando início ao ciclo vicioso outra vez.

Quando se fala em polícia que mata, é importante lembrar que, além de também morrer um número exorbitante de policiais, cerca de 95% destas mortes ocorreu em confronto, ou seja, com a polícia ou o cidadão de bem sendo simultaneamente atacado pelo indivíduo que foi baleado.

Mas, lembrando que o objetivo não é incentivar a violência, se um comerciante honesto e trabalhador está prestes a morrer pelas mãos de um criminoso, a polícia deve agir reprimindo o crime SIM. O indivíduo está armado, violento, decidido, a psicologia falhou, o que fazer?

E, em qualquer situação em que você esteja na mira da arma (sem teorizar sobre vitimismo socioeconômico, nessas horas não dá tempo) você vai preferir sim que o bandido seja morto no seu lugar, pois ao contrário dele, você não fez nada para se colocar naquela situação.

Só quem já participou de uma cena assim sabe o quanto a polícia evita que o gatilho seja pressionado, mas o criminoso não hesita e, muitas vezes, por causa de um simples celular, uma vida inocente é ceifada, como aconteceu em um ponto de ônibus de Curitiba na última semana.

A conclusão disso tudo fica a critério de cada um, mas se o número de pessoas de bem que iriam morrer diminuiu e os números daqueles que estavam dispostos a matar, cresceu, a conta fechou positiva.

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