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Após acidente, homem fala sobre experiência de quase morte

A Folha Extra entrevistou o sobrevivente da tragédia e um espírita para responder: Como é estar entre a vida e a morte?
No local do acidente, Gilmar relembra do dia em que quase perdeu a vida. (FOTO:Marcelo Aguiar)

Domingo, 19 de junho de 2016. Mais um dia normal na vida de Gilmar Inocêncio Alves Cruz. Terça-feira, 24 de abril de 2018, o mecânico de 36 anos concede uma entrevista à Folha Extra. Apesar de parecer tudo bem, por pouco o homem que ficou entre a vida e a morte não estaria aqui para contar sua história.

Gilmar foi vítima de um acidente que aconteceu por volta das 23h do dia 19 acerca de 200 metros de sua casa. “Foi um dia normal, eu jamais imaginava o que estava prestes a acontecer. Sai do trabalho e estava indo ao quiosque de um amigo comer um salgado quando minha moto foi atingida, aí ‘apagou’ tudo. Se eu não voltasse, acho que nem saberia que teria morrido”, relembra.

Ele ficou caído em meio a pista da PR-092 no trecho entre Wenceslau Braz e Siqueira Campos. “Este foi o primeiro momento em que fiquei entre a vida e a morte. Eu sei pelo que me contam, pelas fotos que mostraram, pois só me lembro de estar pilotando minha moto e depois acordar no hospital. Fiquei desacordado caído na pista, sorte que já estava perto do quiosque e alguns amigos pararam os carros e caminhões para não passarem em cima de mim”, contou.

O mecânico foi socorrido e encaminhado ao Hospital São Sebastião e, em seguida, transferido para Jacarezinho. “Aí foi a segunda vez que fiquei por um fio. Durante a queda, o capacete partiu ao meio e a pancada atingiu minha cabeça, ai tive alguns problemas. Meu pé quebrou e foi fratura exposta. Perdi bastante sangue e foram 15 dias internado”, explicou.

Já o destino de Thoni Eric dos Santos, 23 anos, que conduzia uma Honda/CBR 900RR, não foi o mesmo. Devido à gravidade do acidente, o rapaz de Arapoti chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital. “Eu estava devagar e cai perto da moto, já o rapaz da ‘CB’ foi parar a uns 50 metros do local da batida. Graças a Deus estou vivo, infelizmente ele não teve a mesma sorte”, conta Gilmar.

Orlando Noronha Carneiro, orador do Centro Espírita João Batista, em Wenceslau Braz, explanou sobre os relatos de pacientes que passaram pela chamada EQM (Experiência de Quase Morte). “São pessoas que estiveram em coma ou chegaram a perder os sinais vitais tendo de ser reanimadas. Elas falam da sensação de paz, ter visto seu corpo em uma mesa cirúrgica, conversar com parentes que já estão mortos entre uma infinidade de experiências. Este é o momento em que há uma não conexão do espírito com o mundo físico sensorial”, explica.

Ele reforça que, além do “misticismo”, o assunto é tão importante que vem ganhando cada vez mais espaço na área da ciência. “Um entre muitos exemplos são os estudos do psiquiatra norte americano Doutor Raymond A. Moody Júnior. Seus estudos desenvolvidos com centenas de pessoas que passaram pela EQM apresentam resultados impressionantes na riqueza e semelhança de detalhes narrados por pacientes sem nenhuma ligação entre si, reforçando que há vida após a morte”, comenta.

Noronha finaliza deixando uma reflexão. “Se o cérebro é a origem dos pensamentos e lembranças e ele para de funcionar, como as pessoas lembram destes detalhes quando voltam a vida? Quando não chegou o momento do desencarne, o espírito volta e traz suas experiências vivenciadas fora do corpo físico. Então, fica esta questão”, finaliza.

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