Política

Câmara tentará passar a reforma ainda este ano, diz Rodrigo Maia

Segundo o presidente da Câmara, a não votação da Previdência poderá acarretar em quadro de reversão dos indicadores econômicos projetados para o ano que vem

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse tentará colocar a reforma da Previdência em votação ainda este ano. Ele admitiu, contudo, que a base aliada do governo ainda tem distância grande a percorrer para o total de votos necessários para passar a medida na Câmara. O cálculo é que seriam necessários contar com os 330 parlamentares da base.

Maia afirmou que houve avanços nas reuniões com líderes de partidos e bancadas no último final de semana e que recebeu dos políticos o compromisso de votar com o governo. Ele também evitou dizer quantos votos a base possui atualmente e quantos precisará conquistar para aprovar a medida sem correr riscos. O presidente rechaçou a possibilidade de deixar as discussões para depois das eleições de outubro do ano que vem, ao dizer que quanto mais passa o tempo, o déficit das contas públicas aumenta. "O déficit esse ano com a Previdência é de R$ 50 bilhões. Se esperarmos a eleição, vai para R$ 100 bilhões. Que presidente irá governar com um rombo desse tamanho? Não terá dinheiro para educação, saúde, enfim. Quanto mais rápido votarmos, melhor para as contas públicas", disse, após palestrar em evento para empresários no Rio.

Segundo Maia, a não votação da Previdência poderá acarretar em quadro de reversão dos indicadores econômicos projetados para o ano que vem. "O PIB, que se espera alta de 1,5% no ano que vem, certamente não crescerá isso. O desemprego, que está caindo, pode parar de cair. Ai você terá inflação, a volta dos juros e todo esse quadro de recuperação deixa de existir. É dramático", afirmou.

Quanto ao PSDB, Maia reafirmou que o PSDB é alinhado com a agenda de reformas do governo, que agora fala em lançar candidatura própria para o ano que vem. "O PSDB está firme [conosco na aprovação da reforma]. Não é justo que se trate o PSDB dessa forma. Ninguém terá 100% dos votos na base aliada, mas sem o PSDB não tem reforma", disse.

O presidente da Câmara reforçou a necessidade de se separar o debate eleitoral do da reforma. Segundo ele, a "responsabilidade fiscal precisa estar separada da ideologia". "Sem reforma, qualquer candidato que prometer algo na eleição estará mentindo". Mais cedo, em agenda em São Paulo, Maia disse que seria um "sonho" disputar a presidência do país. Temer teria manifestado o desejo de que uma chapa Meirelles-Maia disputasse pelo lado governista em 2018. Maia, no entanto, disse que, apesar de querer disputar um cargo no Executivo no futuro, agora não seria o momento ideal. Ele lembrou que tem baixa votação em seu Estado (RJ). Disse que não teria condições de se eleger a governador do Rio em 2018, tampouco presidente do país. Afirmou que tentará nova eleição a deputado federal no próximo pleito.

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