Norte Pioneiro

Com alerta de epidemia no Norte Pioneiro, paciente conta o que é sentir a Dengue na pele

Ano após ano a irresponsabilidade de algumas pessoas continua contribuindo para registros da doença que pode levar à morte
(Foto: Divulgação)

Diante da gravidade que representa o vírus da dengue, podendo até mesmo levar um indivíduo a morte, grande parte da população parece não estar preocupada. Ano após ano a história se repete e as orientações para combater os focos do mosquito Aedes aegypti são ignoradas por grande parte da população. Como resultado, mais uma vez a região do Norte Pioneiro está em alerta para uma epidemia da doença.

O Poder Público tem desenvolvido várias ações para combater as epidemias da doença que incluem campanhas de vacinação, fiscalização de terrenos e fumasse, mas parece que a única coisa que faz com que algumas pessoas tomem consciência da gravidade da doença é ficar doente. Porém, o mosquito não conhece fronteiras de quintais, muros, portas ou janelas e, em muitos casos, até quem mantém seu quintal e residência livres do foco dos mosquitos acaba sendo vítima da doença devido a irresponsabilidade de outras pessoas.

A Folha Extra conversou com um morador da região que foi diagnosticado com a doença em janeiro deste ano. Sob o nome fictício de João, já que preferiu que seus dados não fossem revelados, ele contou como foi passar por esta situação. “É bem complicado, e sinceramente falando chega a dar raiva. Na minha casa, nós tomamos sempre os cuidados na hora de descartar o lixo, com vasos de plantas e até a água do cachorro. É uma coisa básica, já faz anos que tem campanhas para isso e tem gente que não se toca, aí mesmo tendo todo esse cuidado na minha residência ainda acabei ficando doente. Isso é revoltante”, desabafa.

João ainda revelou como é sentir na pele os sintomas provenientes da picada do mosquito. “É horrível, você chega a não acreditar que um mosquitinho te deixou daquele jeito. Ele acaba com a sua vida. É febre, dor na cabeça, nos olhos, no corpo, dói tudo até os ossos. Além de não conseguir comer, a todo momento você sente vontade de vomitar”, relata.

No fim da entrevista, João fez mais um desabafo. “Eu acredito que todo mundo que já passou por essa situação e não morreu, porque as pessoas ainda não levam tão a sério que a dengue mata, só quer que a população realmente se conscientize, pois não adianta eu cuidar da minha casa e alguém do bairro ou da cidade não. O mosquito vai sair por aí e vai picar quem ele tiver a oportunidade. Agora fica o medo de acontecer outra vez e ser ainda pior”, relatou.

 

EPIDEMIA NO NORTE PIONEIRO

A Folha Extra conversou com veterinário da 19ª Regional de Saúde de Jacarezinho, Ronaldo Trevisan, que falou sobre a situação da região. “Nós temos no Norte Pioneiro alguns municípios em estado de alerta a epidemia de Dengue. Isso porque nesses locais foi constatada uma grande quantidade de mosquitos Aedes aegypti que são os vetores da doença. Se nesses locais surgir o vírus, ele vai se espalhar com grande rapidez e facilidade, pois quanto mais mosquitos, mas fácil a transmissão”, explicou.

Trevisan ainda explicou que os municípios de Jacarezinho, Japira e Tomazina estão em estado de alerta, pois são os que apresentam maior concentração de mosquitos. “Tomazina e Japira por enquanto apresentam uma grande quantidade de vetores, mas não houve registro da doença. O caso mais grave é em Jacarezinho que, além de haver um grande número de mosquitos, até a semana passada já haviam sido registrados oito casos de pacientes com dengue”, alerta.

Por fim, Trevisan reforça o alerta sobre os cuidados. “O mosquito da dengue têm hábitos urbanos, isso é, ele vive e se reproduz na cidade. Por isso, é de extrema importância que as pessoas cuidem das suas casas e de seus terrenos buscando eliminar ao máximo os focos onde o mosquito se reproduz, pois quanto menos mosquitos, fica mais difícil para o vírus se espalhar”, destaca.