Norte Pioneiro

Delegado fala sobre investigações de jovem assassinado em Wenceslau Braz

Crime aconteceu na madrugada do último domingo e tirou a vida de um rapaz de 18 anos
(Foto: Reprodução/Internet)

A morte de um rapaz de 18 anos registrada na madrugada do último domingo (8) deixou um clima de mistério nas rodas de conversas dos moradores de Wenceslau Braz. Juan Davi chegou ao pátio de um posto de combustíveis situado as margens da PR-092, sentou-se em um banco e logo depois entrou em óbito. Já na segunda-feira (9), o principal suspeito de ser o autor do disparo que atingiu o rapaz confessou o crime.

Em entrevista exclusiva à Folha Extra, o delegado responsável pelas investigações, Dr. Miguel Chibani falou sobre o caso. “O autor do crime estava acompanhado do seu advogado e lhe foi explicado a importância de sua colaboração. Com isso, ele confessou ser o responsável pelo disparo que atingiu a vítima”, explicou.

De acordo com o delegado, durante a confissão o autor do disparo deu detalhes do crime. Segundo ele, na referida madrugada a vítima chegou as margens da rodovia em busca de adquirir drogas. Como as casas que ali funcionam estavam fechadas, o rapaz teria começado a chamar pelos moradores do local e, em seguida, teria tentado invadir um imóvel. Com isso, populares pediram para que ele deixasse o local, mas como resposta o jovem teria arremessando pedras. Diante dessa situação, o homem realizou dois disparos.

“Ele nos deu detalhes sobre o que teria acontecido e disse que realizou dois disparos de advertência para que o jovem deixasse o local, pois ele estava arremessando pedras e pedindo por drogas”, comentou o delegado. Em seguida, Juan teria descido em direção do posto, momento em que o autor dos disparos foi atrás dele e lhe desferiu uma coronhada.

“O homem relatou que em nenhum momento percebeu que a vítima estava ferida, pois não apresentava sinais de ferimentos, mas se mostrava bastante agitado. Com isso, quando o jovem foi em direção ao posto, ele voltou para sua casa”, explica Chibani.

 

INVESTIGAÇÕES

 

Dr. Miguel também falou sobre os procedimentos de investigação para avaliar a confissão do autor do crime. “Sabe-se que naquele local há duas casas onde, inclusive, já foram presas duas pessoas por tráfico de drogas. Além disso, analisamos as imagens de sistemas de segurança próximos ao local que mostram o jovem inquieto e agitado mesmo antes de toda a situação. Também ouvimos várias pessoas que moram no local e teriam presenciado o crime. Até o momento, as circunstâncias levam a crer que o rapaz estava em busca de drogas ou estivesse alcoolizado”, disse.

De acordo com o delegado, como não houve flagrante e o autor colaborou com as investigações, o mesmo permanece em liberdade provisória. “Não tivemos o flagrante do crime e, quando o autor confessou, ele disse onde estava a arma. Isso é importante para as investigações, pois seria difícil encontrar esse elemento importante para o inquérito sem a confissão. Com isso, ele permanece em liberdade provisória, o que pode mudar caso haja novidades sobre o caso”, comentou.

Chibani também falou sobre o clamor popular em torno do caso. “O autor do disparo não está preso e isso pode causar revolta nas pessoas. Porém, nos temos que trabalhar com dados e, devido a colaboração nas investigações, vamos realizar o confronto balístico das munições com a qual foi encontrada no corpo da vítima, por exemplo. Isso nos ajudou a ter agilidade no processo e, caso haja alguma mudança no contexto ou ameaça, posso pedir a prisão provisória”, disse.

O delegado finalizou explicando sobre as próximas etapas das investigações. “Agora vamos continuar com a oitiva das testemunhas para que possamos saber como ele chegou ali ou quem o deixou naquele local. Quando tivermos esclarecido estes detalhes, o inquérito será encaminhado ao Ministério Público que vai decidir o futuro do autor do crime. Ele pode responder, por exemplo, por porte ilegal de arma de fogo (pena de 1 a 3 anos) e homicídio qualificado (pena de 12 a 30 anos)”, explicou.

Sobre identidade e nome do autor do crime, Chibani explicou que irá manter em sigilo, pois há pessoas tensas com os fatos e, como há uma investigação em andamento, este não é o momento de divulgar estes detalhes.