Norte Pioneiro

Divisa entre PR e SP no Norte Pioneiro impressiona pela beleza

Localizada nos municípios de Ribeirão Claro e Chavantes, fazendo a ligação entre Paraná e São Paulo sobre o rio Paranapanema, a Alves de Lima é uma das quatro pontes pênsil que existem no Brasil
Ponte é uma das únicas quatro de madeira existentes no Brasil (Foto: Arquivo Folha Extra/Willian Nunes)

 Vale a pena ler de novo 

Em 2014 a Folha Extra publicou a reportagem a seguir que literalmente brilhou os olhos dos "nortepioneirenses". Pois bem, a ponte é uma das arquiteturas rodoviárias mais belas do país e ainda é dona de uma riqueza histórica sem precendetes. Vale a pena ler de novo, leia a seguir:

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Já que beleza não se põe a mesa, essa matéria deve começar com a seguinte palavra: riqueza. Dentre as usuais no vocabulário jornalístico, essas sete letras definem com precisão cirúrgica a ponte pênsil Alves de Lima, pela sua história e arquitetura. Localizada nos municípios de Ribeirão Claro e Chavantes, fazendo a ligação entre Paraná e São Paulo sobre o rio Paranapanema, a Alves de Lima é uma das quatro pontes pênsil que existem no Brasil.

Com um visual ímpar e uma arquitetura capaz de encher os olhos até dos mais leigos no assunto, a ponte tem 164 metros de comprimento, sendo que deste total “apenas” 82,5 metros formam a parte suspensa e, pela sua arquitetura, é comparada à outra ponte deste estilo no sul do país – a Hercílio Luz, em Santa Catarina.

Ainda na questão arquitetônica da construção, a ponte tem largura total de 4,10 e 2,88 de vão livre, está apoiada por seis pilares de concreto, suspensa e mantida por 14 cabos de aço apoiados em duas torres de concreto, com 18 metros de altura. Seguindo neste quesito, um detalhe faz da Alves de Lima única, apesar da semelhança de projetos entre ela e a ponte catarinense: nenhuma das outras três pontes pênsil em território brasileiro possui laterais e piso de madeira, sendo essa uma característica exclusiva da ligação entre Ribeirão Claro e Chavantes.

Agora, apesar de toda riqueza arquitetônica da ponte, nada se compara à história – infelizmente pouco difundida na região – que a Alves de Lima possui e faz dela possivelmente o maior ponto turístico do Norte Pioneiro no que diz respeito à importância histórica e cultural. O começo de tudo remete ao início do século passado, quando se iniciou um estudo para a construção de uma ponte sobre o rio Paranapanema com o objetivo de substituir o primitivo e perigoso transporte via balsa.

A reivindicação de autoridades, moradores, especialmente fazendeiros, locais foi atendida e no fim de 1920 foi inaugurada com o nome de ponte Esperança, com recursos dos governos e municípios, além da iniciativa do fazendeiro Manoel Antonio Alves Lima (que posteriormente acabou homenageado dando o nome à obra que idealizou e ajudou a concretizar). A alegria dos moradores da região, porém, durou pouquíssimo. Quatro após a inauguração, durante a Revolta Tenentista, os revoltosos paulistas atearam fogo na ponte tentando impedir ou ao menos retardar a perseguição das tropas legalistas.

Em 1928 novamente a ponte é completamente reformada, e mais uma vez só dura por quatro anos, já que durante a Revolução Constitucionalista de 1932 as tropas leais a Getúlio Vargas a dinamitaram no intuito de retardar os avanços das tropas paulistas. Quase como uma Copa do Mundo, os acontecimentos que afetavam a ponte continuavam a acontecer de quatro em quatro anos, e em 1936 a ponte é reconstruída mais uma vez – agora para durar por mais de 50 anos.

Beleza impressiona turistas que viajam exclusivamente para ver a obra

 

Em 1983 a ponte pênsil é destruída pela terceira vez em sua história, porém a “vilã” da vez não são mãos humanas, e sim a natureza. Uma das maiores enchentes já registradas na região deixou praticamente toda Alves de Lima submersa, causando grandes danos e precisando ser reconstruída novamente dois anos depois. Ainda no ano de 1985 a ponte é tombada pela primeira vez, pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico e Artístico de São Paulo (Condephaat). Em 2001 é a vez do Conselho Estadual do Patrimônio Histórico do Paraná considerar o local como patrimônio tombado.

Os anos seguintes, contudo, não foram dos mais gloriosos para a Alves de Lima. Sem manutenção adequada e alvo constante de vândalos, a ponte foi se deteriorando gradativamente até chegar ao ponto de não ser mais possível o trânsito sobre ela, culminando com a interdição em 2006. Na mesma época uma ponte de concreto foi construída paralela à ponte pênsil, tomando para si a responsabilidade de levar os veículos de um estado a outro, e fazendo com que a Alves de Lima ficasse completamente esquecida por alguns anos.

Felizmente o grupo responsável pelas hidrelétricas na extensão do rio Paranapanema era incumbido, como forma de “pagamento” pelo uso do rio, a restaurar a ponte, o que teve início em 2009 e a conclusão em 2011. Atualmente é proibido o tráfego de automóveis de qualquer espécie por sobre a ponte, sendo a circulação restrita a pedestres. Projeto O prefeito de Ribeirão Claro, Geraldo Maurício Araújo (PV), é um admirador e entusiasta declarado da ponte pênsil, local onde pretende explorar turisticamente com um projeto que visa implantar iluminação de led e criar áreas de lazer em ambas as margens do Paranapanema. “Infelizmente nós temos poucos monumentos na região, e a ponte pênsil provavelmente é o maior.

Então, até por toda importância histórica dela para a região, nada mais justo que ali seja transformado num grande ponto turístico”, pondera. O prefeito ainda afirma que o trânsito sobre a ponte deveria ser liberado em âmbito turístico. “De repente se cobra uma taxa para quem quer ter o gosto de passar pela ponte. Ela tem estrutura para isso e seria um atrativo a mais, já que no Brasil temos apenas quatro pontes pênsil e não é todo dia que se pode trafegar por uma”, completa.