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Dos trilhos para os gramados: Times de Wenceslau Braz que deixaram saudades

Com raízes nas linhas férreas, amor pelas peladas disputadas por operários nas horas vagas deu origem a várias equipes brazenses
(Foto: Folha Extra)

Da linha férrea para os gramados, assim começou a história de várias equipes de futebol no Paraná. O século XX, foi marcado pela construção e expansão de diversos ramais ferroviários e, por trás das obras que buscavam o desenvolvimento econômico do Estado, estava o amor dos operários pelo futebol.

Na região, a história começa em 1915 quando foi dado início a construção do trecho de linha férrea denominado “Ramal de Paranapanema”, que se estende de Jaguariaíva a Marques dos Reis, em Jacarezinho. As obras foram concluídas no ano de 1938, sendo que a estação de Wenceslau Braz foi inaugurada em 1920. Como diversão nas horas vagas fora do trabalho, os operários gostavam de jogar futebol.

Uma das equipes futebolísticas mais conhecidas do Norte Pioneiro surgiu em meio as peladas disputadas pelos trabalhadores da rede. Foi o Ferroviário Esporte Clube de Wenceslau Braz. O time foi fundado no dia 15 de julho de 1934 e essa ligação com os trilhos deu nome ao clube.

Os ferroviários não só fundaram o time de futebol, como também construíram ao lado da vila em que moravam, bem próximo à estação férrea, um estádio para equipe disputar as partidas. O nome escolhido para o local foi Estádio Getúlio Vargas, ficando popularmente conhecido como “Campo do Ferroviário”.

Alceu Oliveira de Almeida, 65 anos, contou um pouco de suas histórias como jogador ainda vivas em sua memória.

“Na década de 1960, existiam várias equipes em Wenceslau Braz. Tinha a Sertanejo Futebol Clube, Ferro Carril, Mecanizada, Flamengo, Bancial, Sete de Setembro, a equipe do Aimoré, Cooperativa de Cotia, equipe do Operário, mas o time da cidade era o Ferroviário Futebol Clube”, relembra. "Também tinha os times dos sítios como o Colorado, Esteio, Cruzeirinho, Avai, São Miguel e Km 10”, continua.

Equipe do Sertanejo Futebol Clube. Formação que disputou a primeira partida da Taça Norte Paraná

“Panquinha”, como ficou conhecido nos gramados, falou ainda sobre o amor que rodeava o futebol. “Naquela época era diferente do que se vê hoje, as pessoas tinham um amor maior pelo futebol da região e muita gente ia para o campo. Por isso, tinha muitos times e várias partidas”, destaca.

Com passagens por diversas equipes da região do Norte Pioneiro, Alceu falou sobre a grandeza do clube Ferroviário.

“Fui jogador do Ferroviário, onde comecei com 15 anos de idade. Foi um dos melhores times da nossa região com grandes jogadores que fizeram história e deixaram saudades, alguns que já se foram e não voltam mais, como o saudoso Fernando Maluf que só não foi profissional porque não deu certo, mas ficou marcado na memória de muita gente”, comenta.

Em pé: Desidério - Althair Panichi – Picão – Cláudio – Palinha – Edivaldo
Agachados: Panquinha – Zélio – Zezé - Fernando Maluf - Adolfinho

Na época, nomes renomados do futebol brasileiro pisaram no campo do Ferroviário, conforme lembra Alceu.

“Vários jogadores renomados vieram jogar aqui em Wenceslau Braz. Garrincha, Beline que foi capitão da copa de 1958, Djalma Santos entre outros que vestiram a camisa da seleção. Já tive o prazer de jogar com o Pedro Rocha, capitão da seleção do Uruguai”, relata. “Aquele tempo lotava o estádio, tinha vestiário, lugar para guardar as chuteiras, até massagista a gente tinha. Naquela época era tudo organizado, muito gosto o Ferroviário Esporte Clube”, finaliza.

Alceu (Panquinha) em meio aos ídolos da seleção brasileira Edu e Beline

Assim como os trens pararam de circular na linha férrea, após décadas de alegria e glórias dentro das quatro linhas, o time conhecido por ser uma potência do futebol da região também deixou de atuar. Porém, até o hoje o “Campo do Ferroviário” é utilizado para sediar partidas dos campeonatos municipais como uma herança viva desta história.

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