Opinião

É o político no céu e o pobre na terra

(Foto: Warren Little/Getty Images)

Ah, a velha política esnobe. Nesta época de eleições é constante perceber os olhos e ouvidos atentos aos céus, “É um pássaro?”, “Um super-herói?” Não, é só mais um político esnobe, aterrissando feito uma celebridade.

Enquanto as atenções estão voltadas ao incrível político voador, o som das hélices da aeronave começa a arrepiar o solo, solo este que os políticos que chegam pelos céus têm pavor de tocar, deveras, pois viajando de carro são confrontados de perto pela pobreza, falta de infraestrutura e, principalmente, pela má qualidade das estradas. “Deus me livre ficar parado em um acidente, causado por um carro que tentou desviar de um buraco na pista”.

Se engana quem pensa que a velha política "don't touch" atinge só os veteranos, pelo contrário, alguns “novos” também preferem sobrevoar o povo, mantendo o mínimo de contato possível com os problemas da população. Em seus 30 minutos em cada cidade, nas visitas pontuais a cada quatro anos, não dá nem para sentir a falta de pavimentação nas ruas, muito menos apreciar a fila de espera por consulta no hospital, ou ainda, vislumbrar a degradação das paredes na escolinha rural.

Tão bizarro quanto ver o político voando é saber que, muitas vezes, esta aeronave está sendo paga com dinheiro do contribuinte, em média, um voo de uma hora gasta R$ 440 somente de combustível, se o helicóptero for fretado, custa mais. Agora faça as contas, 30 dias de campanha, cerca de 7 horas de viagens aéreas diárias, dava para fazer muita coisa pelo seu município não é mesmo? O troco de todo esse gasto, você pode dar na urna.

E você em quem vai votar? É hora de repensar.