Norte Pioneiro

Exposição de crianças e adolescentes a internet e jogos requer controle dos pais

Acesso livre a conteúdo não indicado para determinada faixa etária pode acarretar em problemas graves para o desenvolvimento dos menores
(Foto: Folha Extra)

Com um modelo de vida onde o cotidiano das famílias está cada vez mais corrido e agitado, muitos pais acabam não tendo muito tempo disponível para dedicar aos filhos e, em muitos casos, essa lacuna acaba sendo preenchida por entretenimento digital. Porém, o que é para ser diversão muitas vezes acaba se tornando um grande problema.

Para ressaltar a importância da presença dos pais no controle do acesso dos filhos a conteúdo da internet e jogos de vídeo game, a Folha Extra conversou com a psicóloga clínica especialista em terapia comportamental e cognitiva de crianças e adolescentes Regina Maria de Souza.

Primeiramente, Regina destacou o quanto é importante que os pais estejam sempre acompanhando os jogos e conteúdo que seus filhos estão consumindo. “Acompanhar o que os filhos fazem é de primordial importância justamente para supervisionar o que a criança está jogando e acessando observando se este conteúdo é pertinente a sua idade, além de saber com quem e o que ela está conversando”, explicou.

Ainda com relação a faixa etária, a psicóloga é pontual na questão de se respeitar os indicativos. “A lei brasileira obriga que filmes, jogos e programas de televisão tenham indicativos de idade. Então, é notório o quanto isto é importante, pois, se uma criança de oito anos começa a jogar um jogo que é indicado para indivíduos com idade a partir de 12 anos, ela não é capaz de discernir emocionalmente o que é realidade da ficção, isto é, ela pode até conseguir jogar, mas não tem discernimento para interpretar e lidar com a informação que está consumindo”, destaca.

Indagada sobre influência dos jogos sobre uma pessoa, Regina traz um alivio para os amantes dos games:

“O jogo não vai motivar uma pessoa a matar ninguém, não uma pessoa normal. O que acontece em algumas situações como em Suzano e depois relacionam o comportamento a determinado jogo que o assassino jogava, é que esta pessoa tem um distúrbio que a torna incapaz de distinguir a realidade da ficção. Trata-se de um problema muito mais amplo que envolve a formação do indivíduo, transtornos psicológicos, falta de acompanhamento dos pais e etc. O jogo sozinho não influencia, porque ninguém vai sair por aí pegando uma arma e matando em uma condição normal”, ressalta.

A psicóloga ainda faz mais algumas observações sobre o episódio que deixou dez mortos e 23 feridos. “Esses dois jovens podem ter sido motivados por inúmeras situações que os levaram a praticar esse crime. Um deles se vestiu igual a um personagem do jogo, mas não dá para afirmar que foi motivado por isso. Só o jogo não é um agente, pois existem outros aspectos que podem ter levado eles a tomarem essa atitude e que, como eles morreram, não temos como aponta-los de maneira exata”, comenta.

Por fim, Regina reforça que os pais devem impor limites aos filhos sem medo de causar frustração. “O limite é importantíssimo para controlar o comportamento externo destes indivíduos. Quando não se tem orientação eles não sabem os limites de até aonde podem ir ou não. Repreender e controlar não é um problema mesmo que o filho fique triste ou chateado, pois a frustração é um processo de amadurecimento emocional de grande importância na vida de uma pessoa”, finaliza.

 

Problemas na escola

A pedagoga e administradora Nilceli Sayuri Izu Uno falou à Folha Extra sobre os danos que a falta de controle no uso de jogos e internet pode causar no ambiente escolar. “É indiscutível a importância da tecnologia no nosso cotidiano. No entanto, o vício abala a qualidade de vida podendo resultar em quadros de depressão e ansiedade. Mesmo em menor proporção, pode acarretar em baixo rendimento escolar e distúrbios de comportamento, principalmente em crianças e adolescentes. Isso pode estar relacionado a não saberem administrar o seu tempo e acabam ficando horas navegando pela internet, redes sociais ou jogando. Por isso, é de suma importância que haja o acompanhamento dos pais”, explicou.