Norte Pioneiro

Família relata revolta por liberdade de acusados de matar e carbonizar mulher

Justiça revogou prisão preventiva de Juliana Barraqueiro e Adelmo Aniballe, ambos acusados pela morte de Luciane Rita em Guapirama
(Foto: Reprodução/Internet)

A decisão tomada pela Justiça na última quinta-feira (30) em conceder liberdade a Juliana Barraqueiro e Adelmo Aniballe Cordasco do Prado, ambos acusados da autoria na morte de Luciane de Rita que teve seu corpo carbonizado, causou grande revolta a família da vítima e indignação a amigos e populares na região do Norte Pioneiro. Na época, a brutalidade com que o crime foi cometido chegou a gerar repercussão nacional do caso, além do fato da vítima ser mãe de dois filhos do acusado.

A decisão foi tomada pelo juiz titular da comarca de Joaquim Távora Marco Antônio Venâncio de Melo após a defesa pedir a liberdade de Juliana Barraqueiro alegando excesso de prazo na manutenção da prisão preventiva da acusada. Segundo o pedido, “a demora fere o direito de liberdade da acusada e a sua presunção de inocência”. Ainda de acordo com a defesa, a demora “demonstra a fragilidade dos indícios de autoria diante da dúvida do órgão acusador”.

Ao atender o pedido da defesa, a Justiça revogou a prisão preventiva de Juliana a qual passa a ser substituída por medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica e horários para estar em casa. Por consequência, a decisão ainda beneficiou Adelmo com as mesmas medidas, fazendo com que o casal de acusados possa aguardar a sequência das investigações e julgamento em liberdade.

A reportagem tentou contato com a delegacia de polícia de Joaquim Távora para apurar maiores informações sobre a soltura dos suspeitos, mas não foi possível devido ao delegado não estar presente no local.

 

DOR E REVOLTA

A Folha Extra conversou com familiares de Luciane que, em meio ao sentimento de dor e saudades da vítima, ainda tem que lidar com a sensação de impunidade diante da decisão da Justiça.

“Minha irmã era uma pessoa que você pode conversar com qualquer um que a conhecia para ver a mulher que ela era, uma pessoa guerreira e companheira. É bem difícil falar, difícil de acreditar e tem horas que parece ser um pesadelo”, disse Paulo Afonso Augusto Rita, irmão de Luciane.

“É um sentimento revoltante que eu não desejo para ninguém, não tem como explicar ou descrever como é a sensação de ver minha mãe e meus sobrinhos sem a Luciane. Foi um feminicídio, sabemos que ela não foi a primeira, mas queremos Justiça para que quem sabe seja a última”, desabafou Paulo sobre a falta que a família sente da vítima e o sentimento de impunidade.  

A cunhada de Luciane, Vanessa Cauane dos Santos, falou sobre a revolta que a notícia da liberdade causou a família da vítima. “Estamos revoltados e indignados, pois enquanto eles e suas famílias podem seguir levando uma vida normal, a mãe, os irmãos e os filhos da Luciane só podem visitá-la no cemitério”, disse. “A forma como ela foi morta foi horrível que nem um corpo digno ela teve para ser sepultada. Eles não tiraram apenas o sorriso da Luciane, mas o de toda sua família e amigos”, completou.

Sobre a demora para o julgamento, Vanessa diz que a espera corrói a família. “Não existe uma data marcada para o julgamento, e a espera nos corrói. O pior é saber que existe uma previsão para soltarem os dois, mas para o que é o principal não tem”, comentou.

 

PROTESTO

A tarde do último domingo (2) foi marcada por protestos em frente à delegacia de Joaquim Távora, local onde o casal de acusados estava preso. Parentes e amigos da vítima se reuniram e utilizaram cartazes, faixas e gritos para clamar por Justiça e cobrar agilidade no julgamento do casal Juliana e Adelmo.

 

O CRIME

De acordo com informações da Polícia Militar na época, o crime aconteceu no dia 7 de julho de 2019. Durante depoimento à polícia, Adelmo relatou que teria discutido com a ex-esposa por causa da pensão e guarda dos dois filhos que o acusado tem com a vítima. Em seguida, ele teria chamado Luciane para conversar mais calmamente e seguiram até uma área rural do município de Guapirama, onde acabaram discutindo. Durante a discussão, o homem agrediu a vítima que teria desmaiado. Diante da situação, Adelmo a colocou no banco de trás do automóvel e ateou fogo no veículo. O corpo de Luciane foi carbonizado. Já no depoimento da audiência de custódia, o acusado mudou a versão dos fatos.