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Grupo troca lacres por cadeiras de rodas e devolve locomoção à cadeirantes

São necessárias 100 garrafas pet cheias de lacres para conseguir uma cadeira. Os integrantes do grupo, formado em Jacarezinho, se surpreendem com o aumento das doações
Nelson com as arrecadações dos coroinhas de vários decanatos (Foto: Gilmara Silva)

Uma iniciativa de integrantes da Igreja Católica de Jacarezinho moveu toda diocese em prol de uma ação que devolve a locomoção às pessoas. Durante todo o ano, os organizadores fazem a arrecadação e se surpreendem com o aumento de doações.

Para surpresa dos integrantes, os coroinhas de vários decanatos juntaram os lacres e reuniram a quantia de 2,6 mil litros do material.

Através da atitude, os lacres serão revertidos em cerca de 13 cadeiras de rodas, que devem promover uma melhor mobilidade de grupos locais ou até mesmo de outro município, como conta Nelson Pereira Cardozo, membro do projeto.

“As cadeiras já foram emprestadas até para pessoas de Califórnia (PR) e Paranaguaçu, em São Paulo, como recebemos doações de toda região, beneficiamos a todos também. Fico feliz em ver a dimensão que o projeto tomou”, comenta.

Em casos em que o paciente é temporário, as cadeiras são emprestadas e voltam para comunidade, a fim de atender outras pessoas, ou seja, uma cadeira pode ajudar muita gente, explica Nelson.

 

100 PARA UM                                                          

 

Após a arrecadação dos lacres, eles são levados para Curitiba, onde são trocados pelas cadeiras, é necessário um volume de 100 garrafas de lacres para conseguir uma cadeira. 

Há cinco anos, o projeto foi criado e Nelson conta que a demanda é muito grande, que em certos momentos ele acha que as cadeiras vão acabar, mas quando ele menos espera acontecem devoluções que garantem a continuidade do projeto.

A comunidade também recebe doações de pessoas que compraram uma cadeira, mas que atualmente estão bem e não utilizam. Além disso, o grupo arrecada e doa muletas, camas hospitalares, andadores e realizam o jantar solidário, mantém vivo o projeto geladeira solidária e a casa solidária, onde o grupo recupera casas em más condições, através de pessoas que fazem doações em dinheiro.

 

TEMPO DE ESPERA                                                

 

O projeto busca, além de doar, também ajudar as pessoas que estão na fila de espera e precisam de uma cadeira para uso permanente.

“Muitas vezes o usuário nem sabe que tem a possibilidade de receber a cadeira do governo, para isso, o grupo tem uma pessoa que faz visitas e seleciona as pessoas. Quando o uso é permanente, fazemos o cadastro junto ao Estado e, enquanto a pessoa aguarda, disponibilizamos a nossa”, conta Nelson.

O tempo de espera por uma cadeira do governo, muitas vezes, é longo então para o paciente não ficar sem, o grupo utiliza esse método.

 

RETRIBUIÇÃO                                                         

 

Através da caridade, a atitude de Nelson foi retribuída pela filha de um idoso.

De acordo com ele, tudo começou quando doou uma cadeira a quem precisava, para retribuir, a família contribuiu com um saquinho de lacres, a própria filha do homem questionou como era feito o processo, brevemente ele explicou, neste momento ela relatou que o marido é integrante do Rotary e iria conversar com ele para que o grupo fizesse uma doação.

A par da situação, o Rotary fez a doação de sete cadeiras importadas dos Estados Unidos para os membros destinarem aos necessitados.