Geral

IGREJA NA BRIGA: Diocese de Jacarezinho entra na campanha contra construção de hidrelétrica nos Cinzas

IGREJA-NA-BRIGA

A cada dia que passa ganha mais adesão o movimento que luta para impedir a construção de uma hidrelétrica no rio das Cinzas, em Tomazina, próximo ao Salto Cavalcanti, o que segundo biólogos iria reduzir drasticamente a vazão de água naquele ponto, “matando” assim um dos maiores pontos turísticos do Norte Pioneiro. Desta vez quem aderiu à causa é a diocese da igreja Católica de Jacarezinho, que comanda a instituição em toda a região. Durante o último sábado (6) o bispo dom Antônio Braz Benevente acompanhado de padres de Tomazina e pessoas envolvidas nesta questão foram até o Salto Cavalcanti e ali os representantes da igreja Católica puderam se aprofundar na causa. “Fomos até lá, explicamos a situação detalhadamente e conscientizamos o bispo que o Salto Cavalcanti corre um grave risco de deixar de existir. Obviamente ele ficou sensibilizado com a situação e prometeu ajudar”, coloca o advogado Laércio Ademir dos Santos, um dos líderes do movimento contra a construção da hidrelétrica no rio das Cinzas. “Acredito que com mais essa ajuda nós vamos impedir o fim do Salto Cavalcanti. Espero que isso sirva de alento e que agora finalmente o lugar passe a receber investimentos para o turismo”, completa o advogado. Para Antônio Braz, o Salto Cavalcanti deve ser preservado. “Vamos orientar as paróquias para conscientizar as pessoas sobre o que está acontecendo. Já estamos enviando cartas para todas elas, e também vou ligar para o Tarcísio (Mossato Pinto, chefe do IAP) para conversar, mas a diocese fará o que puder para não deixar o Salto morrer”, garante o religioso. Além da diocese, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) também já está a par do caso, e prometeu se pronunciar após as eleições.   ENTENDA O CASO Existe um projeto em andamento para a construção de uma pequena central hidrelétrica no rio das Cinzas, poucos metros rio acima do Salto Cavalcanti. Ambientalistas, biólogos e pessoas em geral ligadas a área do meio ambiente do Norte Pioneiro têm, desde a divulgação do projeto, acusado incessantemente o projeto de “esvaziar” o Salto Cavalcanti, já que a barragem seria construída antes da cachoeira, fazendo, de acordo com estas explicações, com que a vazão do rio neste ponto fosse mínima, secando assim o maior ponto turístico da região e o maior símbolo de Tomazina. Um dos nomes que está com ênfase nesta luta é do engenheiro agrônomo e biólogo Laércio Ribeiro Renó, que faz uma série de acusações e críticas, dizendo que o projeto não viável econômica e ambientalmente falando. Segundo ele, em entrevista recente à Folha Extra, a capacidade de produção da energia seria pequena (o suficiente apenas para uma cidade de pouco mais de 30 mil habitantes) em um estado onde sobra energia elétrica; não haveriam royalties para a prefeitura de Tomazina e a geração de emprego e renda seriam mínimas; em contrapartida acabando com o maior ponto turístico da região em troca da construção de um lago artificial e melhorias ao redor do local. “O nome do projeto é Foz da Anta, mas eu cheguei a conclusão que anta somos nós de deixar um absurdo deste acontecer”, ironiza Laércio.   OUTRO LADO Em entrevista à Folha Extra no ano passado, o empresário Gustavo Ribas, responsável pelo projeto, garantiu que não haveria mudanças drásticas na vazão do rio, conseqüentemente mantendo o Salto Cavalcanti intocado.   LUCAS ALEIXO