Opinião

Nova greve na próxima segunda-feira?

Imagem da greve dos caminhoneiros que durou 11 dias em todo Brasil

Sem dúvidas, o povo brasileiro vive um momento revolucionário, não pelas reivindicações que foram atendidas por uma paralisação que mostrou ao país inteiro o valor de uma classe, mas pelas conquistas e falácias da ágil comunicação via redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas.

Há menos de uma década atrás, a maioria das pessoas estaria refém de uma única fonte de informação, a Televisão, tudo que era dado, era digerido, desde propagandas institucionais do Governo à reportagens especiais que, com um alto nível de manipulação, davam aos políticos a possibilidade de agregar ainda mais votos, angariados com mentiras que o cidadão sequer conseguia desvendar.

Hoje, 2018, o boca a boca deu lugar ao celular a celular que, diferente do primeiro citado, consegue alcançar milhões de pessoas em alguns instantes e até desmentir um pronunciamento presidencial, acordando uma nação inteira do sonífero chamado televisão e a fazendo repousar novamente nos boatos sem fontes ou origens, mas endereçado à cada brasileiro que esteja disposto a acreditar em qualquer lorota que receba por mensagem, desde situações como intervenção militar, toque de recolher e até invasão alienígena.

A última notícia, de procedência duvidosa (que a mídia ainda está tentando apurar, mas milhares de pessoas já compartilharam) é a de que no próximo dia 04 (segunda-feira), uma nova paralisação “desta vez mais organizada”, dizem os áudios e textos, está sendo programada.

Para enfatizar o tom de pânico, a bula de mais esta notícia falsa, orienta: “Façam estoque de comida e combustível, não saiam de casa à noite. Vamos tirar este presidente e, desta vez, o Exército vai intervir”.

Com a multidão de compartilhadores surgindo no horizonte virtual, é impossível controlar a propagação da notícia que, sem nenhuma cerimônia compartilha com legendas do tipo “Recebi de um amigo, mas não sei se é verdade” ou “Só estou repassando” ou ainda “Mande para 50 amigos até esta mensagem chegar ao presidente Temer”.

Como dizia o bordão do personagem da série mexicana Chapolin, “Não criemos pânico", a ordem contemporânea seria "Não compartilhemos o pânico”.

E se você quer causar uma revolução, não será através de um áudio de Whatzapp repassado sabe Deus de onde. A resposta mais concreta caro brasileiro, se dará quando, diante daquele aparelho com 10 números e três botões coloridos, a sua digital estiver prestes a decidir o país que você quer.

Aliás, sobre a greve no dia 4, não há nenhuma associação ou movimento de caminhoneiros por trás do chamamento, apenas pessoas conhecidas das redes sociais por afirmarem que a manifestação nunca acabaria.