Opinião

Só a prevenção pode evitar as mortes por Aids

No artigo desta semana, o deputado Luiz Cláudio Romanelli, fala sobre a prevenção como melhor método para evitar mortes pelo vírus da Aids

O Dia Mundial de Luta contra a Aids foi lembrado na ultima sexta-feira (1º). A data foi criada em 1987 para alertar a população sobre um dos maiores problemas de saúde pública no mundo. Só em 2016, foram 38.090 novos casos registrados no Brasil. Quase 21 milhões de pessoas são portadoras do HIV no mundo, das quais 830 mil pessoas no Brasil (2016).

Segundo o Boletim Epidemiológico de HIV/Aids, lançado em Curitiba pelo ministro Ricardo Barros, nos últimos dez anos, há uma tendência de queda de casos em mulheres e aumento em homens. Em 2016, foram 22 casos de Aids em homens para cada 10 casos em mulheres. Em relação à faixa etária, a taxa de detecção quase triplicou entre os homens de 15 a 19 anos, passando de 2,4 casos por 100 mil habitantes em 2006 para 6,7 casos em 2016.

Entre os com 20 a 24 anos passou de 16 casos de aids por 100 mil habitantes, em 2006, para 33,9 casos em 2016. Já nas mulheres, houve aumento da doença entre 15 a 19 anos - passou de 3,6 casos para 4,1. Também há crescimento em idosas acima dos 60 anos, passando de 5,6 para 6,4 casos por 100 mil habitantes.

Quanto à forma de transmissão, a doença cresce entre homossexuais, mudando o perfil, nos últimos dez anos, quando a proporção maior de caso era de transmissão heterossexual. Na comparação a 2006, observa-se aumento de 33% nos casos de transmissão de homens que fazem sexo com homens.

Em artigo assinado na Folha de São Paulo, Mario Sheffer, professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP e Caio Rosenthal, médico infectologista e membro do Conselho Regional de Medicina de São Paulo apontam retrocesso nas politicas de prevenção à doença, especialmente para evitar o crescimento entre os jovens.

“Campanhas e ações de saúde não alcançam as mudanças geracionais, de comportamento e os novos espaços de sociabilidade, inclusive digitais. Na esteira de movimentos como o escola sem partido, conservadores impõem no ambiente escolar o silêncio sobre sexualidade, noção de risco, gênero e preconceito, temas fundamentais para dialogar sobre aids com jovens”, dizem os médicos.

Eles alertam: “Não é o fato de pertencer a um grupo ou de viver em determinados contextos que leva alguém a se infectar pelo HIV, mas sim a combinação entre práticas sexuais desprotegidas, ausência de políticas de prevenção, negação de direitos, racismo, sexismo, homofobia, pobreza, violência e sujeição ao duplo estigma da identidade e da condição de saúde”.

Segundo relatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), a ampliação do acesso a todas as opções de prevenção ao HIV poderia reduzir o número de novos casos do vírus na América Latina e Caribe, que desde 2010 se mantêm em 120 mil por ano.

A Unaids avalia que para reduzir as novas infecções entre as populações-chave é preciso adotar ações de prevenção do HIV que sejam específicas e de alto impacto, além de acesso a tratamento para todos.

O Ministério da Saúde percebeu a importância de ampliar os programas de prevenção, especialmente entre os jovens. A nova campanha publicitária traz o slogan “Vamos combinar? Prevenir é viver” e a hashtag #VamosCombinar e tem foco nos jovens, reforçando as diversas formas de prevenção do HIV garantidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde. Conta com filme para TV aberta e fechada, além da divulgação nas mídias sociais. O clipe tem a participação do grupo Dream Team do Passinho - revelação nacional entre o público jovem - que vai convidar a população, nas redes sociais, a fazer o seu próprio passo da prevenção com a canção do filme. Além disso, haverá ações específicas nas redes sociais para públicos segmentados como profissionais de saúde, gestores, homens que fazem sexo com homens, gestantes e população trans.

Em meio a tantos números preocupantes quando se fala da Aids, pelo menos uma boa noticia: Curitiba e o primeiro município brasileiro a ficar livre da transmissão de mãe para filho. Em 2016, foram notificados 209 casos de Aids e 689 casos de HIV na cidade.

 

*Luiz Cláudio Romanelli, advogado e especialista em gestão urbana, ex-secretário da Habitação, ex-presidente da Cohapar, e ex-secretário do Trabalho, é deputado pelo PSB e líder do governo na Assembleia Legislativa do Paraná. Escreve às segundas-feiras sobre Poder e Governo.