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Covid-19: Família de vítima não foi orientada sobre prevenção nem testada

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Fachada de um hospital da rede Prevent Senior arrow-options
Divulgação

Ao menos cinco mortes por covid-19 aconteceram em hospitais da rede Prevent Senior










Antônio Luiz Fernandes, engenheiro de 77 anos, morreu na última segunda-feira (16), às 22h. Sua família, porém, só foi informada por volta de 20h do dia seguinte , quando chegou ao hospital Sancta Maggiore, no bairro do Paraíso, em São Paulo, para visitá-lo. 

Além disso, as pessoas que tiveram contato com ela não foram testadas e não receberam nenhum tipo de orientação sobre como se proteger da doença. Na verdade, a família só teve a confirmação que Antônio Luiz foi uma das vítimas brasileiras do novo coronavírus na última quinta-feira (19), um dia após o enterro. 

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“O que mais me deixa chateada é como as pessoas são tratadas aqui no Brasil. Não avisam, não dão satisfação”, afirmou Maria Augusta Fonseca, cunhada de Antônio.

Questionados pelos parentes sobre a demora em avisar sobre o falecimento, os funcionários do hospital afirmaram que tentaram entrar em contato por telefone.  Já a família de Antônio afirma que não havia nenhuma chamada perdida nos telefones fornecidos como referência à unidade de saúde.

Neste mesmo dia, eles receberam um atestado de óbito provisório, no qual constava a morte por Síndrome Respiratória Aguda Grave e “suspeita de covid-19”.  Foi por meio deste documento que ficaram sabendo da possibilidade de Antônio ter sido vítima da pandemia de covid-19 .

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O engenheiro estava internado desde o dia 10 de março com diagnóstico de pneumonia . No domingo (15), no entanto, seu quadro apresentou uma piora e ele foi testado para o novo coronavírus.

Os familiares, porém, afirmam que essa suspeita não foi discutida com eles, e que também não foram testados e nem receberam nenhum tipo de orientação sobre isolamento ou prevenção contra a covid-19. 

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Tanto a mulher de Antônio quanto seus filhos tinham tido contato intenso com ele nos dias anteriores, uma vez que ele estava internado em uma UTI humanizada , ou seja, que permite que familiares passem o dia todo com o paciente.

Naquele mesmo domingo (15) o engenheiro foi transferido do hospital da Prevent Senior que fica em Pinheiros para outro da mesma rede no bairro Paraíso, onde ele morreu um dia depois. 

Hospital em observação

Ao menos cinco mortes por covid-19  aconteceram em hospitais da rede Prevent Senior , segundo a própria empresa. O último balanço divulgado na quinta-feira (19) aponta que 28 pacientes internados em hospitais da rede tinham diagnóstico confirmado da doença e outros 95 aguardavam resultado de exames.

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As secretarias estadual e municipal de Saúde de São Paulo  fiscalizaram os hospitais da Prevent Senior e verificaram um quadro de superlotação, falta de funcionários e desorganização no fluxo hospitalar, de acordo com a coluna da Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo , o que foi negado pela empresa.

Esta semana a prefeitura  acusou a rede de omitir casos de coronavírus. A suspeita fez com que a Secretaria de Saúde de São Paulo decretasse uma norma obrigando todos os hospitais do estado , públicos ou privados, a informar diariamente a quantidade de pacientes atendidos ou internados por coronavírus .

A família foi avisada na última quinta-feira (19) que o teste de Antônio Luiz Fernandes deu positivo para o novo coronavírus. Nesta ocasião também não receberam nenhuma informação sobre isolamento ou prevenção. O enterro do homem de 77 anos foi realizado na quarta (18) sem velório com o caixão lacrado, por orientação da funerária.

Procurada pelo iG , a Prevent Senior não respondeu sobre quais são os protocolos adotados nos hospitais da rede quando há uma suspeita de covid-19. A empresa também não se manifestou sobre a demora em informar a família sobre a morte.

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Coronavírus se espalha e ameaça colapsar rede de saúde do Brasil

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governo de São Paulo/reprodução

Leitos de UTI para lidar com coronavírus são limitados

Pessoas que deveriam estar em casa e assim colaborar para deter o coronavírus estão superlotando sem necessidade hospitais e fazendo testes que faltam para quem, de fato, precisa. Os primeiros resultados da testagem iniciada esta semana na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) revelam um cenário explosivo, afirma o professor titular da UFRJ Amílcar Tanuri, um dos virologistas mais experientes do país e que coordena os testes.

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Das 140 pessoas testadas no exame de coronavírus  da UFRJ até agora apenas quatro estão positivas. É um percentual muito baixo e que mostra que a população não entendeu que é preciso ficar em casa.

“Esse comportamento insano e egoísta pode nos transformar numa nova Itália e colapsar o nosso sistema de saúde antes mesmo de a epidemia se agravar. Esse vírus do pânico vai matar gente doente de verdade, que precisa de atendimento e vai encontrar a rede superlotada”, alerta Tanuri, um dos raros virologistas do país com experiência no combate das pandemias de ebola e HIV na África.

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O posto da UFRJ foi montado exclusivamente para profissionais de saúde e grupos pré-selecionados devido ao risco. Ainda assim, pessoas com pouco ou nenhum sintoma ou ainda de baixo risco foram se testar. O resultado se vê em números. Em visitas a hospitais da rede pública e privada, Tanuri detectou o mesmo problema. O serviço de emergência sendo inundado por gente com sintomas de pouca gravidade.

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“Mandei todo mundo para casa. Quem não está na linha de frente do combate da Covid-19 ou não tem sintomas realmente mais graves, por favor, fique em casa. Não prejudique o combate da pandemia. Além disso, mesmo que a pessoa seja egoísta e irresponsável e não ligue a mínima para a sociedade, deveria saber que o hospital é o melhor lugar para contrair o vírus. Ela tem grande chance de sair de lá infectada”, salienta ele.

Tanuri explica que o teste não é para qualquer profissional de saúde, mas apenas para aqueles que têm contato direto com pacientes, como médicos, enfermeiros e seus auxiliares. Ele lembra que a população precisa estar atenta aos sintomas importantes: infecção respiratória com falta de ar e sensação de cansaço profundo sem causa aparente. Hipertensos, diabéticos, imunodeprimidos e idosos devem ficar em casa.

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Esses casos podem ser avaliados em UPAs com medição de oxigênio. Se estiver baixo, aí sim a recomendação é de teste para o coronavírus .


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