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Opinião

É o político no céu e o pobre na terra

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Ah, a velha política esnobe. Nesta época de eleições é constante perceber os olhos e ouvidos atentos aos céus, “É um pássaro?”, “Um super-herói?” Não, é só mais um político esnobe, aterrissando feito uma celebridade.

Enquanto as atenções estão voltadas ao incrível político voador, o som das hélices da aeronave começa a arrepiar o solo, solo este que os políticos que chegam pelos céus têm pavor de tocar, deveras, pois viajando de carro são confrontados de perto pela pobreza, falta de infraestrutura e, principalmente, pela má qualidade das estradas. “Deus me livre ficar parado em um acidente, causado por um carro que tentou desviar de um buraco na pista”.

Se engana quem pensa que a velha política “don’t touch” atinge só os veteranos, pelo contrário, alguns “novos” também preferem sobrevoar o povo, mantendo o mínimo de contato possível com os problemas da população. Em seus 30 minutos em cada cidade, nas visitas pontuais a cada quatro anos, não dá nem para sentir a falta de pavimentação nas ruas, muito menos apreciar a fila de espera por consulta no hospital, ou ainda, vislumbrar a degradação das paredes na escolinha rural.

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Tão bizarro quanto ver o político voando é saber que, muitas vezes, esta aeronave está sendo paga com dinheiro do contribuinte, em média, um voo de uma hora gasta R$ 440 somente de combustível, se o helicóptero for fretado, custa mais. Agora faça as contas, 30 dias de campanha, cerca de 7 horas de viagens aéreas diárias, dava para fazer muita coisa pelo seu município não é mesmo? O troco de todo esse gasto, você pode dar na urna.

E você em quem vai votar? É hora de repensar.

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O amor nos tempos do coronavírus

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O isolamento social imposto pela pandemia do coronavírus está revelando um mundo pouco conhecido: aquele que se oculta e vibra nas casas, apartamentos, quartos, escritórios, garagens, oficinas – espaços agora transformados em palco central da vida, em substituição a shoppings, teatros, cinemas, academias, parques, ruas, bares, bancos, restaurantes. E o que vemos é uma vida que, embora sempre estivesse ali, parecia não existir até agora. Ou porque fomos indiferentes a ela ou porque não sabíamos o valor que tem.
Foi necessário um choque extremo de realidade para revelar o que deveríamos saber desde sempre: que precisamos de pouco para viver bem e que gastamos muito tempo e dinheiro com coisas sem importância.
Uma sinfonia nas sacadas, uma festa de aniversário online, o trabalho remoto, a teleducação são agora parte da rotina nova de uma vida que segue e vai aos poucos se adaptando. Mas, ao contrário de lamentar, essa mudança nos desperta a sensação de descoberta e nos emociona.
Nos emociona porque é nos momentos de crise que os valores que constituem a essência do ser humano se manifestam em sua plenitude: amizade, fraternidade, solidariedade, responsabilidade. 
De repente, desconhecidos tornam-se amigos, indiferentes se comprometem, distantes se unem e se fazem presentes. Sem pedir nada em troca, sem buscar lucro ou notoriedade, sem esperar uma medalha de reconhecimento ou um elogio de alguém poderoso – não, nada disso, o que fazemos é por prazer e por amor.
Onde estavam estes valores, expressos nas últimas semanas como sentimentos verdadeiros e de forma eloquente? Onde estava nosso compromisso inato de sermos humanos, no sentido amplo da palavra? Por onde andava o bom selvagem (aquele ser humano puro de que falava Rousseau)? Em que cômodo se escondeu o “um por todos e todos por um”?
Em que momento perdemos de vista o dever de estender a mão ao próximo em qualquer situação? Quando foi que esquecemos que somos todos iguais? Em algum momento nossa humanidade ficou menor.
Um inimigo invisível fez o favor de nos devolver a lucidez temporariamente perdida. Era assim antes do coronavírus: culpávamos o mundo contemporâneo, evoluído, competitivo, moderno, individualista, egoísta por essa perda temporária da noção do que devemos fazer e do que deixamos de fazer.
E usávamos o ritmo louco dos tempos atuais para justificar nossas omissões recorrentes. Como se estivesse fora do nosso controle a escolha entre certo e errado, justo e injusto, bem e mal. Mas não está, e o que fizemos confinados nos últimos dias é revelador da nossa capacidade de discernir e de superar obstáculos aparentemente instransponíveis.
Reinventamos quase tudo em tempo recorde. Ficamos em casa e redescobrimos o prazer das coisas simples que nos pareciam banais – fazer um bolo de banana, brincar com os filhos, estudar, ler, conversar, arrumar os armários, ver um filme antigo. 
E descobrimos que no jogo de baralho ganhar e perder são possibilidades com o mesmo potencial. Se há algo que o coronavírus nos trouxe de bom – ainda que isso pareça improvável – é que podemos sempre aprender mais e melhorar o que parecia perfeito.
Mas logo vem a dúvida: depois que esse período de reclusão passar qual será nossa atitude? Seremos mesmo pessoas melhores ou o velho e aprisionante egoísmo que nos espreita por puro deleite voltará a triunfar?
Por sorte o isolamento social que o vírus nos impôs é apenas físico, mas não intelectual nem emocional. E este é o nosso trunfo: evoluímos intelectualmente e amadurecemos emocionalmente. É impossível sair dessa como entramos; só podemos sair maiores. Muito maiores. E melhores.
Cida Borghetti
Embaixadora da Organização Mundial da Família (OMF)
Ex-Governadora do Paraná
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