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Opinião

Feliz Ano Novo!

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Ano após ano fica nítido que o Brasil realmente só funciona depois do carnaval, a maioria das escolas e servidores públicos só volta as aulas depois do feriado, e ainda usa-se dizer que os dias uteis do ano só começam depois do feriado prolongado. Agora imagine só, se não houvesse o carnaval, teríamos uma semana a mais para aumentar a produção do país, diminuiríamos a transmissão de DSTs e o numero de acidentes nas estradas nessa época despencaria, uma vez que não teríamos a incidência de motoristas dirigindo alcoolizados após as festas.

Até mesmo a valorização da mulher. O mundo não consegue imaginar o Brasil sem pensar em uma bela mulata sambando, ou futebol, mas reduzir o país a isso é injusto, poderia dizer que é quase um crime. Somos um país enorme, seja em tamanho quanto riqueza cultural, mas internacionalmente somos conhecidos por uma festa que, se entrevistarem a população, iriam descobrir que poucos brasileiros sabem a origem do carnaval. É como se tivéssemos a maior festa de carnaval do mundo, mas não soubéssemos de onde ela veio, ou pra que ela servia no inicio. Isso sem falar que esse ano, além de todos os feriados que temos normalmente, ainda é ano de Copa do Mundo, aqui no Brasil, isso quer dizer que o período escolar ficará ainda menor, que funcionários públicos trabalharão ainda menos dias e a produtividade do país será ainda mais comprometida.

Os blocos de carnaval arrastam multidões para as ruas, pessoas praticamente não dormem ou comem direito por dias, para aproveitar o carnaval ao máximo. Fica difícil de acreditar que uma população tão ativa para esse tipo de eventos, seja a nação mais propensa a corrupção, isso é, que mais tem ciência de casos de corrupção sem se revoltar no mundo. Quando houve os protestos no ano passado diziam que o gigante havia acordado, mas vendo a adesão da população ao carnaval, comparado ao número de pessoas protestando, posso dizer que se ele acordou ano passado, hoje dorme um sono profundo. Não que as pessoas não possam se divertir ou pular carnaval, mas que tenham ciência de que, se a situação do país não é a melhor hoje, a população é responsável pela realidade que vive, e pela mudança que precisa ser realizada, seja na rua ou nas urnas.

Por VINICIUS AZEVEDO

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O amor nos tempos do coronavírus

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O isolamento social imposto pela pandemia do coronavírus está revelando um mundo pouco conhecido: aquele que se oculta e vibra nas casas, apartamentos, quartos, escritórios, garagens, oficinas – espaços agora transformados em palco central da vida, em substituição a shoppings, teatros, cinemas, academias, parques, ruas, bares, bancos, restaurantes. E o que vemos é uma vida que, embora sempre estivesse ali, parecia não existir até agora. Ou porque fomos indiferentes a ela ou porque não sabíamos o valor que tem.
Foi necessário um choque extremo de realidade para revelar o que deveríamos saber desde sempre: que precisamos de pouco para viver bem e que gastamos muito tempo e dinheiro com coisas sem importância.
Uma sinfonia nas sacadas, uma festa de aniversário online, o trabalho remoto, a teleducação são agora parte da rotina nova de uma vida que segue e vai aos poucos se adaptando. Mas, ao contrário de lamentar, essa mudança nos desperta a sensação de descoberta e nos emociona.
Nos emociona porque é nos momentos de crise que os valores que constituem a essência do ser humano se manifestam em sua plenitude: amizade, fraternidade, solidariedade, responsabilidade. 
De repente, desconhecidos tornam-se amigos, indiferentes se comprometem, distantes se unem e se fazem presentes. Sem pedir nada em troca, sem buscar lucro ou notoriedade, sem esperar uma medalha de reconhecimento ou um elogio de alguém poderoso – não, nada disso, o que fazemos é por prazer e por amor.
Onde estavam estes valores, expressos nas últimas semanas como sentimentos verdadeiros e de forma eloquente? Onde estava nosso compromisso inato de sermos humanos, no sentido amplo da palavra? Por onde andava o bom selvagem (aquele ser humano puro de que falava Rousseau)? Em que cômodo se escondeu o “um por todos e todos por um”?
Em que momento perdemos de vista o dever de estender a mão ao próximo em qualquer situação? Quando foi que esquecemos que somos todos iguais? Em algum momento nossa humanidade ficou menor.
Um inimigo invisível fez o favor de nos devolver a lucidez temporariamente perdida. Era assim antes do coronavírus: culpávamos o mundo contemporâneo, evoluído, competitivo, moderno, individualista, egoísta por essa perda temporária da noção do que devemos fazer e do que deixamos de fazer.
E usávamos o ritmo louco dos tempos atuais para justificar nossas omissões recorrentes. Como se estivesse fora do nosso controle a escolha entre certo e errado, justo e injusto, bem e mal. Mas não está, e o que fizemos confinados nos últimos dias é revelador da nossa capacidade de discernir e de superar obstáculos aparentemente instransponíveis.
Reinventamos quase tudo em tempo recorde. Ficamos em casa e redescobrimos o prazer das coisas simples que nos pareciam banais – fazer um bolo de banana, brincar com os filhos, estudar, ler, conversar, arrumar os armários, ver um filme antigo. 
E descobrimos que no jogo de baralho ganhar e perder são possibilidades com o mesmo potencial. Se há algo que o coronavírus nos trouxe de bom – ainda que isso pareça improvável – é que podemos sempre aprender mais e melhorar o que parecia perfeito.
Mas logo vem a dúvida: depois que esse período de reclusão passar qual será nossa atitude? Seremos mesmo pessoas melhores ou o velho e aprisionante egoísmo que nos espreita por puro deleite voltará a triunfar?
Por sorte o isolamento social que o vírus nos impôs é apenas físico, mas não intelectual nem emocional. E este é o nosso trunfo: evoluímos intelectualmente e amadurecemos emocionalmente. É impossível sair dessa como entramos; só podemos sair maiores. Muito maiores. E melhores.
Cida Borghetti
Embaixadora da Organização Mundial da Família (OMF)
Ex-Governadora do Paraná
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