12.9 C
Wenceslau Braz

Status de área livre da aftosa é maior conquista para o agronegócio nos últimos 50 anos, afirma Ratinho Junior

“Esse é o maior anúncio para o agronegócio paranaense nos últimos 50 anos”. Esse é o sentimento do governador Carlos Massa Ratinho Junior ao comemorar o novo status de área livre de febre aftosa sem vacinação, concedido pela Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) nesta quinta-feira (27). “É um dia que temos que celebrar, porque coloca o Paraná em um grau alto de qualidade sanitária animal no mundo todo. A conquista abre um mercado importante não apenas para a carne bovina, mas também para outras proteínas e seus derivados, gerando uma cadeia de oportunidades de novos investimentos no Estado”, acrescentou.

- Advertisement -

O reconhecimento foi comemorado pelo governador durante uma live promovida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento na manhã desta quinta para destacar a conquista, que remonta mais de 50 anos de esforços. Junto do Paraná, também receberam o selo Rio Grande do Sul, Acre, Rondônia e parte do Amazonas e do Mato Grosso do Sul.

“Temos a alegria de ser o maior produtor de proteína animal do Brasil, representando 22% do total do País; somos líderes no frango e no peixe, o segundo em suínos, um dos maiores na pecuária. O agronegócio é o grande alicerce da economia do Paraná”, enfatizou o governador. “E agora estamos falando de bilhões de dólares que nossos produtores passam a ter a oportunidade de acessar. É muito dinheiro envolvido que vai ajudar na geração de empregos e na atração de novos investimentos na agroindústria. É um mercado fantástico que vai fazer do Paraná ainda mais protagonista na produção de alimentos, com alta qualidade e de forma sustentável”.

- Advertisement -

Em 2020, o Paraná produziu mais de R$ 5,7 milhões de toneladas de carne de porco, boi e frango – o que representa quase um quarto do que foi produzido no País. No frango, o Estado lidera a produção brasileira com 33% do total. No peixe, o percentual é de 21,4%, também em primeiro lugar. A expectativa é que, com o novo selo, os números se fortaleçam nos próximos anos.

 

MARCO

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, reforçou a importância do marco dos seis estados que receberam o reconhecimento da OIE. “Hoje celebramos uma importante conquista para a agropecuária brasileira. O Brasil possui, agora, 44 milhões de cabeças de gado em áreas livres de febre aftosa sem vacinação, o que corresponde a 20% do nosso rebanho bovino. No caso da suinocultura, é quase 50% do rebanho brasileiro, e 58% dos frigoríficos de abate suíno com Serviço de Inspeção Federal estão agora em regiões com esse novo status sanitário. Ressalto o empenho dos pecuaristas brasileiros e de toda a cadeia produtiva em cumprir as normas sanitárias”, afirmou a ministra.

Aos Estados que obtiveram a certificação nesta quinta-feira (27), soma-se Santa Catarina, que mantém seu status desde 2007. A meta é que todo o território brasileiro seja considerado livre de febre aftosa sem vacinação até 2026. “Comemoramos hoje, mas seguimos trabalhando diariamente para o fortalecimento da defesa agropecuária nacional, mirando no objetivo de levar todo o Brasil para a condição de livre de febre aftosa sem vacinação”, completou a ministra.

No Estado, os esforços para erradicar a febre aftosa somam décadas de trabalho integrado entre diferentes atores, que vão desde o pequeno produtor até o Governo do Estado. Para as entidades do setor produtivo paranaense, o motivo é de celebração pelos novos potenciais econômicos, mas também de responsabilidade sanitária que envolve transparência e rapidez nas ações contra zoonoses. No evento, eles relembraram as principais conquistas e desafios.

“Essa é uma notícia esperada há mais de 50 anos e que nos leva à euforia. Mas é preciso manter o pé no chão porque, nesse momento, temos que acompanhar os desdobramentos com relação a uma vigilância mais forte. Temos a responsabilidade de lembrar aos produtores para estarem atentos e vigilantes sobre questões relacionadas ao rebanho”, disse Otamir Cesar Martins, diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar).

O secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, reforçou que o selo não é apenas um certificado para ser emoldurado na parede, mas a lembrança de um esforço de vigilância sanitária que será permanente. Esse investimento reverte para o Estado um impacto direto em novos mercados para exportação.

“Faz bem para o ego dizer que subimos a régua e fomos reconhecidos como eficientes do ponto de vista do serviço veterinário, com capacidade de superar problemas tipo aftosa. Mas, para nós, isso é negócio. Queremos vender, e nos preparamos para disputar mercados inéditos”, afirmou Ortigara. “As criações que têm a ver com aftosa são porco e boi, mas quando mostramos ao mundo a eficiência do serviço veterinário, damos a confiança para o consumidor de que se pode importar qualquer produto daquele pedaço de chão chamado Paraná”.

José Roberto Ricken, presidente da Ocepar, estima que a certificação possa dobrar a exportação do Estado em produtos do agronegócio, já que 65% do mercado internacional ainda não compram do Paraná. “Ainda não estamos presentes em grande parte do mercado porque se entende que quem faz a vacinação ainda tem circulação de vírus e não possui um sistema adequado de sanidade. Hoje, nós estamos provando que o temos, o que vai movimentar a economia e impulsionar a cadeia do agronegócio como um todo”, relembrou.

- Advertisement -

Deixe uma resposta

MAIS NOTÍCIAS