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Ivan Bonilha

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Para a terceira entrevista da série “Filhos da Terra” a Folha Extra novamente esteve em Curitiba, onde desta vez entrevistou o garoto nascido em Maringá, mas que cresceu brincando pelas ruas de Wenceslau Braz, pegando as sessões da tarde do antigo Cine Braz e andando de bicicleta pelas ruas da cidade.

Quarenta e três anos se passaram e hoje, com Wenceslau Braz ainda no seu coração, ele tem um dos oito cargos vitalícios e mais cobiçados de uma das instituições mais antigas de todo o Estado. Hoje a entrevista da Folha Extra é com Ivan Lelis Bonilha, conselheiro do Tribunal de Contas do Paraná.

Ivan, que é formado em direito pela Universidade Estadual do Paraná – UFPR, com mestrado pela PUC do Estado de São Paulo, antes de ter um dos cargos mais almejados pelo poderio público, teve também o invejado cargo de procurador-geral do Estado, na gestão de Beto Richa, além d ter sido ainda procurador-geral da cidade de Curitiba, enquanto o atual governador esteve prefeito, entre os anos de 2004 a 2010.

Bonilha foi também conselheiro estadual da seção paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) e membro consultor da Comissão de Assuntos Legislativos do Conselho Federal da OAB. Além da procuradoria geral da capital e do estado, integrou o conselho do Instituto dos Advogados do Paraná e foi vice-presidente do Fórum dos Procuradores gerais das capitais.

Porém, antes de tudo isso o atual conselheiro, dono de um salário que varia entre R$ 27 a 30 mil reais por mês e que poderá receber até seus 70 anos, quando ainda poderá escolher se deixa ou não sua cadeira no TCE, por conta da vitalidade do cargo, brincava pelas ruas de Wenceslau Braz, participava de todas as rodas de conversas políticas naquele tempo, onde inclusive, viu o ex-presidente da república João Figueiredo visitar a antiga sede da prefeitura e assistiu Dedé e Zacarias se apresentarem em um circo instalado atrás da rodoviária brazense, quando iniciavam as suas carreiras.

FOLHA EXTRA – Como foi sua infância e sua juventude no interior?

IVAN LELIS BONILHA – Como a de qualquer criança (risos). Como Wenceslau Braz sempre foi pequena, anteriormente menor ainda, brincava na rua e andava de bicicleta por todos os lados. Porém, estava sempre estudando devido ao rigor dos meus pais, que sempre me cobraram muito isso. Depois disso, já mais crescido lembro-me dos bailes que haviam no Clube Recreativo (aliás, ainda existe o Clube Recreativo?) , onde me divertia com os muitos amigos da época. Outra recordação marcante para mim é o Cine Braz, onde assisti dezenas de filmes e vivi muitos momentos bons da minha vida. Cine Braz, me lembro até hoje de suas cortinas de veludo cor de vinho.

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FOLHA EXTRA – Quando e onde iniciou seus estudos?

IVAN – Comecei em Wenceslau Braz, no colégio São Thomaz de Aquino, local que guardo muitas recordações, como as queridas irmãs Isabel, Catarina e irmã Conceição, que acredito não estarem mais por lá. No entanto, a necessidade de estar em Curitiba com freqüência, devido um tratamento de saúde de meu irmão, fez com que meus pais transferissem meus estudos para cá, onde conclui o fundamental, o ensino médio e a universidade.

FOLHA EXTRA – E qual é a sua melhor recordação de Wenceslau Braz?

IVAN – Olha, são muitas, mas andar de bicicleta pelas ruas acredito que seja a melhor. Hoje em dia não se pode fazer mais isso, nossas ruas estão lotadas de carros e já não há mais aquela tranqüilidade que existia naquele tempo. Me lembro bem quando pegava a bicicleta e andava por todas aquelas ruas, de um lado para o outro (risos). Lembro que saia do centro, passava pela estação ferroviária e ia pedalando até lá no Country Clube.

FOLHA EXTRA – Foi procurador da capital e procurador-geral do Paraná, como se tornou a sua rotina?

IVAN – Desde que me formei sempre estive vinculado em algum grande projeto. Eu me formei em 1989, pela Universidade Federal do Paraná, na mesma turma do atual prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet, de quem sou amigo há anos, do tempo da universidade. Então, em 1990 houve eleição para governador no estado, quando o Requião ganhou pela primeira vez. Nesse ano, através da amizade com o Gustavo, fui convidado pelo pai, o então secretário de comércio, Maurício Fruet, para ser seu assessor de gabinete na época, onde permaneci até que Fruet se candidatou a prefeito pela primeira vez e não ganhou. Em 1993 prestei concurso para advogado do Tribunal de Contas, que passei entre os oitos melhores colocados. Trabalhei por um tempo no TC até receber o convite de Juracy Barbosa, para advogar na campanha de Beto Richa, em 2004 e me lembro que no primeiro momento cheguei a recusar, devido ao compromisso ético que tinha com o Gustavo nesse tempo, e já que ele pretendia ser também candidato a prefeito, assim como Beto. Como o Gustavo não saiu, meses depois aceitei a proposta e fui trabalhar com o Beto, quando se iniciou toda essa outra jornada, procuradoria-geral do município de Curitiba e por conseqüente, procuradoria-geral do Estado, este último que permaneci por apenas seis meses.

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FOLHA EXTRA – Como se tornou e como é o dia a dia do conselheiro do TCE?

IVAN – Uma possibilidade não planejada! Mas a partir do momento que percebi que poderia me candidatar e teria aprovação por parte do governador e dos deputados, procurei executar as ações que levassem para este caminho e foi muito bom, porque sai do TCE anteriormente como advogado e retornei como conselheiro. O dia a dia no tribunal exige atenção focada em vários aspectos, eu tenho uma inspetoria sob minha responsabilidade, que é uma espécie de fiscalização para uma parte de órgãos da administração estadual que nós fiscalizamos. Hoje somos responsáveis pela fiscalização da secretaria de Desenvolvimento Urbano, da COMEC (Coordenadoria da Região Metropolitana de Curitiba), além de todas as universidades estaduais do Estado. Quer dizer, todas as denúncias e fiscalizações nesses órgãos passam por nós e para isso neste gabinete existe uma corregedoria e ainda os assessores que me auxiliam nos despachos.

FOLHA EXTRA – Chegou em um dos cargos mais cobiçados da vida pública, o que isso representa para um garoto do interior?

IVAN – Com certeza representa muito. No entanto, me preparei para isso, desde muito cedo minha família me instruiu que os estudos eram a base de tudo e sempre tive isso como lema. Embora do interior, tive acesso a boas escolas que contribuíram para esta minha preparação.

FOLHA EXTRA – Ainda tem algum outro grande desafio profissional?

IVAN – Lecionar, com certeza! Hoje muito embora esteja em um cargo que muito me orgulha, ainda tenho esse grande sonho de voltar a ministrar aulas de direito. Fui professor durante mais de dez anos na Faculdade de Direito de Curitiba, uma das mais tradicionais da cidade e voltar a dar aulas será um prazer imenso.

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Aldeia de Pinhalzinho

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Os avançados índios do Norte Pioneiro

Aldeia Indígena do Pinhalzinho, no município de Tomazina, é dona de uma riqueza cultural única, que tem todos os princípios indígenas aliados à modernidade do homem branco.

A última expedição rumo ao interior do Norte Pioneiro tem a equipe da Folha Extra indo até a Aldeia Indígena do Pinhalzinho, em Tomazina, nesta que é a “cereja do bolo” da série de reportagens.

Embora a aldeia faça parte do município de Tomazina, fica próxima à sede do município de Guapirama. E logo na chegada já se nota que, ainda que seja uma aldeia guarani, em nada lembra essas tribos mostradas exaustivamente na televisão, com pessoas nuas pintadas e dançando na frente de um amontoado de ocas.

Ali existe uma rica mistura entre modernidade e tradições indígenas, que resultam em uma sociedade democrática, ainda composta por cacique e pagé, mas que toma decisões coletivas sempre visando a manutenção da cultura indígena e o bem estar do grupo, porém com casas com TV a cabo, internet e carros.

Neste ambiente as 160 pessoas da aldeia vivem com uma qualidade de vida superior aos moradores dos distritos visitados na série. Com poder direto de participação nas decisões dos rumos a serem tomados, ensino fundamental de qualidade e um posto de saúde bem melhor que a maioria dos postos de saúde que existem em toda a região, os índios impressionam pelo progresso e avanço que conquistaram, contrariando diversos preconceitos contra sua cultura.

O passeio pela aldeia é conduzido por Reginaldo Alves, filho do cacique local e participante de movimentos indígenas de todo Brasil, que conta em detalhes o dia a dia da aldeia.

A primeira parada é no posto de saúde e já chama a atenção – especialmente depois de conhecer tantos problemas relacionados a esse tipo de estabelecimento durante as expedições desta série. Ali uma equipe médica composta por médico, enfermeira padrão, auxiliar de enfermagem e agente de saúde trabalham diariamente para manter em dia a saúde dos moradores dali.

O posto ainda conta com um consultório odontológico e remédios em quantidade suficiente para atender a demanda da aldeia. Vale lembrar que, exceto o agente de saúde, toda a equipe que trabalha no posto de saúde é composta por “brancos”.

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Já na escola Yvy Porã, que em português quer dizer Terra Boa, e é o nome indígena também da própria aldeia, embora os professores não sejam índios, a direção da instituição é de Jeferson Gabriel Domingues, índio e formado em história.

Ali tanto Reginaldo quanto Jeferson destacam a importância de uma educação que ensine as matérias do ensino regular (até porque a escola é estadual), já que muitos índios saem da aldeia para fazer o ensino médio e até o faculdade em outros lugares, porém não abrem mão de instruir os alunos na cultura indígena.

“A gente luta para que a educação aqui seja de qualidade, mas que também priorize as questões culturais indígenas, para que além do conhecimento a gente forme uma identidade cultural nos jovens da aldeia”, afirma Jeferson.

E essa relação, especialmente dos jovens, entre os índios e o “mundo branco” é uma das grandes preocupações do diretor da escola. “Nós temos um lema aqui que é: posso ter tudo o que você tem, sem deixar de ser aquilo que eu sou”.

Agora a luta é para que a escola passe a ter também ensino médio. “Estamos lutando para que a gente ofereça o ensino médio também, queremos um sistema educacional indígena. Isso sem dúvida seria muito importante para manutenção dos nossos costumes”, explica Reginaldo.

A liderança indígena também conta que a aldeia está tentando começar a cultivar produtos orgânicos, começando pela horta na própria escola. Além disso, Reginaldo destaca que na aldeia existe uma variedade grande de frutas e plantas medicinais, usadas regularmente na rotina dos moradores locais.

Já os 300 alqueires de terra de posse da aldeia têm uso variado. São plantações, como arroz e feijão, pastagem e mata fechada. Claro que uma parte disso é de uso coletivo da aldeia. Mas aí entra uma das reclamações dos índios: de acordo com eles, mais de 1000 alqueires foram tomados por posseiros. “Tem fazendas inteiras dentro de terras indígenas e infelizmente é muito difícil de recuperar isso, pra não dizer impossível”, lamenta Reginaldo.

Mas questões legais à parte, após uma boa volta pela aldeia chega-se à casa do pagé, que é o guia espiritual da aldeia. E aqui, antes de aprofundar nas crenças dos índios, vale o destaque para o “papel social” das lideranças e o respeito tido por eles. “O pagé tem a função de orientar espiritualmente, aconselhar, dar os nomes indígenas para as crianças. Diferente do cacique, que cuida da parte política e burocrática, mas sempre ouvindo as lideranças e os conselhos, já que temos conselhos de saúde, de educação, e por aí vai”, explica Reginaldo, mostrando uma organização social exemplar e democrática, e que atua assim não só na teoria, mas na prática também.

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Chegando à residência de José da Silva, o pagé, a equipe de reportagem é bem recepcionada por ele e pela esposa, que explicam a ordem dos rituais e a importância da fé. Em uma longa conversa, o pagé conta sobre seu ofício e inclusive leva a equipe de reportagem até a casa de reza, uma espécie de igreja, feita toda em sapé. Entre os rituais mais comuns estão o pedido por chuvas e bênçãos para crianças. “Quando vai ter um ritual tem que se preparar. Alguns chegam a durar até nove dias. Então tem uma alimentação diferenciada, não pode dormir junto com a esposa. Tem que estar purificado para conseguir”.

E quando questionados se os pedidos por chuvas, por exemplo, funcionam, os índios são unânimes em dizer sim. “A gente pede com fé, e dentro de até três dias chove, não tem erro”, explica o pagé.

Apesar das crenças indígenas se manterem fortes, dentro da aldeia existem índios católicos e evangélicos, provando que há liberdade de escolha. “Ninguém é obrigado a nada. Cada um é livre para seguir a religião que quiser”, detalhe Reginaldo.

A visita termina com a equipe de reportagem levando uma ótima impressão de lugar, fazendo ter a convicção que chamar moradores de locais subdesenvolvidos de índios é um erro grotesco, já que a Aldeia do Pinhalzinho prova que os índios, em diversos aspectos do convívio coletivo e formação cultural, estão bem a frente dos brancos. E no Norte Pioneiro, uma região ainda com sérias carências primárias, os índios mostram ser uma das poucas partes que de fato evoluíram com o passar dos anos.

Por LUCAS ALEIXO

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