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Número de acadêmicos de Direito cresce, mercado de trabalho exige mais qualidade

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Com uma breve análise histórica, é possível constatar um “boom” no número de faculdades de Direito no Brasil ao longo dos anos. Em 1940 existiam apenas 19 escolas que ofertavam o curso, atualmente o país possui aproximadamente 1.240 cursos superiores de Direito. Com esse número, o país se consagra como a nação com mais cursos de Direito do mundo todo, de acordo com informações do blog Leis e Negócios do Portal IG.

Mas a ampliação na oferta do curso superior, para muitos, é a grande responsável pela banalização desse item que é tão importante para o currículo atual, por isso, a qualidade dos cursos de Direito na região, é o tema de hoje na série “Pública X Privada”.

Considerando que o aumento significativo dos cursos superiores possibilitou o acesso de milhões de alunos à faculdade, não seria correto demonizar as instituições privadas, que no Norte Pioneiro contabilizam 1.110 alunos de Direito nos cinco períodos, contra 350 da única universidade pública da região.

Além disso, o empenho tem sido alto para que estes alunos absorvam o conteúdo e saiam com bagagem suficiente para concorrer no mercado de trabalho.

No entanto, com a oferta caminhando a passos largos, a qualidade do ensino precisa acompanhar o mesmo ritmo. Obviamente, uma das motivações para promover um ensino de excelência é o investimento que o aluno faz todo mês para pagar sua mensalidade, que no curso de Direito das instituições Uniesp Santo Antônio da Platina, Universidade Brasil de Ibaiti e Fati/Fajar de Jaguariaíva, vai de R$ 570 à R$ 1 mil.

“Sempre enfatizo que o aluno merece ter aula todos os dias, ele paga por isso e espera o retorno através de aquisição do conhecimento, que ocorre principalmente por meio do que ele recebe em sala de aula, somado ao seu tempo de estudo”, afirma José Carlos de Carvalho, diretor da Fati/Fajar, que atualmente conta com 280 acadêmicos de Direito.

“Eles podem até chegar no curso sem a base necessária, mas precisam sair daqui bacharéis, prontos para o mercado competitivo, que está em busca dos melhores”, continua.

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Enade

Para medir a qualidade acadêmica, o método utilizado atualmente é o ciclo do Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) que ocorre a cada três anos em cada instituição e avalia aspectos intelectuais, estruturais e científicos do curso. A nota também consta no histórico do aluno, cuja turma fez o exame.

No quesito avaliativo, as faculdades da região tem se saído bem, apresentando conceito 4 na Uniesp, Universidade Brasil e Fati/Fajar. A nota máxima, que é 5, só é alcançada pelo curso de Direito da UENP (Universidade Estadual do Norte do Paraná), que obtém avaliação impecável em todos os aspectos avaliados há alguns anos.

 

Docentes

As disciplinas da grade são as mesmas em ambas realidades, mas os mediadores deste conhecimento precisam estar preparados.

Para colocar bons profissionais em sala de aula, o quadro pedagógico nas instituições UENP e Uniesp de Santo Antônio da Platina se mostram mais seletivos, com exigência mínima de mestrado. Já na Universidade Brasil de Ibaiti e Fati/Fajar, os docentes precisam ter no mínimo a especialização (pós-graduação).

“A iniciativa privada exige qualidade, não só para reter o aluno, mas para proporcionar o conhecimento que este acadêmico veio buscar, somos pautados em resultados e isso atrai qualidade, por isso precisamos ter profissionais comprometidos e pedagogicamente preparados”, afirma Maria da Graça Zurlo, diretora geral na Uniesp.

 

Carga horária

Em todos os cursos de Direito, essencialmente presenciais, a graduação deve ser concluída em 5 anos, com o prazo estendido até 8, em caso de reprovação ou atraso na entrega do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), por exemplo.

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Já quanto à carga horária, há uma pequena divergência entre as instituições, sendo a quantidade de horas definida pelo projeto político pedagógico de cada faculdade. Na UENP, os alunos cumprem aproximadamente 3830 horas, enquanto que na Uniesp SAP são estimadas 4100 horas. Na Universidade Brasil de Ibaiti, as horas estão dentro do mínimo determinado pelo MEC, 3700 horas, e na Fati/Fajar de Jaguariaíva com 3800 horas.

 

Prova da Ordem

Mesmo que o estudante não aspire atuar no cenário advocatício, o exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) é, sem dúvidas, a prova dos nove para medir conhecimento pessoal e também a eficiência do ensino em cada instituição.

Na região, os números apresentados pelos diretores são bem peculiares: UENP de Jacarezinho, 95% de aprovação; Universidade Brasil de Ibaiti 80%; Uniesp SAP 76%, e Fati/Fajar de Jaguariaíva 60% de aprovação. Vale lembrar que muitos alunos optam por não realizar o exame.

 

Para onde vão?

De acordo com os diretores, em geral, os egressos das instituições privadas optam por seguir carreira como advogados, sendo rapidamente captados por escritórios da região. Também apostam em concursos de procuradoria municipais em prefeituras e câmaras de vereadores.

Na UENP, os novos bacharéis almejam, em sua maioria, carreiras jurídicas, como promotoria pública e delegado de polícia.

Não deixe de ler na próxima edição, uma análise do contexto educacional brasileiro com o renomado filósofo Oswaldo Giacoia Junior.

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Ensino deficitário faz alunos chegarem à faculdade sem conhecimentos básicos

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Pense em uma escola pública, agora responda se você considera a formação dos alunos sendo de qualidade nesta instituição que você pensou.

Se o seu conceito desta escola passou longe de “excelente”, saiba que esta é uma realidade e não somente uma opinião isolada. Na última edição da série PÚBLICA x PRIVADA, a Folha Extra aborda a origem das dificuldades enfrentadas pela maioria dos estudantes de escola pública que chegam ao Ensino Superior no Brasil.

No curso de Direito, o professor é um mediador de conhecimento, o mérito, em geral, é do próprio aluno que se dedica e coloca nos estudos todo seu empenho, porém como fazê-lo sem ter tido o amparo necessário para, ao menos, entender aquilo que se lê.

Com base em alguns relatos de diretores que afirmam receber alunos que chegam ao ensino superior sem ao menos saber interpretar, é necessário fazer uma análise mais abrangente para explicar porque este aluno está saindo do Ensino Médio com tanta deficiência na aprendizagem .

Primeiro é importante frisar que a justificativa de baixos investimentos, estatisticamente, não pode ser usada como argumento. Em um levantamento publicado pela Gazeta do Povo no ano passado, um novo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que o Brasil já investe acima da média dos países membros da OCDE: aqui, mais de 16,2% dos recursos públicos vão para o setor, colocando a terra do verde e amarelo acima de países como Coreia do Sul, Suíça, Dinamarca e Noruega.

Agora como explicar a enorme defasagem de conteúdo com a qual os estudantes brasileiros saem atualmente do Ensino Médio? Para tais questionamentos, a Folha Extra entrevistou o renomado professor e filósofo Oswaldo Giacoia Júnior, natural de Ribeirão Claro, formado em Direito pela Universidade de São Paulo, doutor em Filosofia pela Universidade Livre de Berlin, cursou pós-doutorado na Universidade de Viena e Universidade de Lecce.

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Sobre a formação deficitária que o ensino público básico proporciona ao aluno, Giacoia afirmou ser uma questão a ser tratada de maneira cidadã. “A sociedade precisa passar a cobrar qualidade desde as bases da unidade, desde os municípios, para que a escola pública seja objeto central da preocupação, cobrando a canalização do máximo de recursos possíveis para promover ensino de excelência”, afirma.

Questionado sobre o papel fundamental do professor no aprendizado do aluno, o estudioso e professor na USP e Unicamp enfatiza que é preciso acreditar no que se faz. “A atividade docente foi tão degradada e banalizada, que os próprios profissionais que a executam tendem à ver como algo não compensatório. A carreira de professor desprestigiada e pouco atraente, faz com que alguns atuantes não reconheçam a importância da docência e a tendência desse fenômeno, é fazer dessa profissão a opção que restou, criando um efeito em cascata que traz consequências nefastas para a formação de gerações”.

 

Onde Está a Excelência?

Diferente do ensino básico e médio público, o nível de qualidade das universidades públicas brasileiras, é reconhecido mundialmente. Mas por que a base do conhecimento é tratada com tanto descaso? Sem apontar um ou outro motivo como único responsável por essa distorção, Giacoia citou uma das razões pela qual existe tanta disparidade entre os parâmetros de qualidade dentro da educação.

“Na universidade pública não há preocupação, nem tampouco remuneração referente apenas ao tempo que se passa em sala de aula, mas também a realização de pesquisas e atividades de formação, acompanhando trabalho em regimes de orientação e tutela. Isso significa que o salário do professor de universidade pública não se mede pelo tempo que ele fica em sala de aula. Agora, se você tiver um contrato de 40 aulas semanais e essas 40 horas são dentro de sala de aula, quando este professor vai realizar uma pesquisa, orientar um trabalho cientifico, se atualizar?”, explica Giacoia.

Constatando o que já foi registrado, em todos os comparativos feitos pela Folha Extra, é visível que a UENP (Universidade Estadual do Norte do Paraná) se sobressai às particulares da região, não sendo uma realidade exclusiva do Norte Pioneiro, mas o grau de excelência das universidades públicas é reluzente em todo país.

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Privilégio de alguns, a gratuidade e qualidade no ensino superior resultam em uma combinação que está ao alcance de poucos, justamente porque o ensino nas bases não oportuniza ao aluno de escola pública competir de igual para igual com estudantes que tiveram acesso à um ensino peculiar.

A conclusão é que este não é o país que o brasileiro quer. Investimentos altíssimos que não são convertidos em qualidade e castigam os sonhos de quem não pode pagar.

Professor e filósofo Oswaldo Giacoia Júnior, natural de Ribeirão Claro, explanou sobre a defasagem de conteúdo com a qual os estudantes brasileiros saem atualmente do Ensino Médio

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