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Sapé

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Há milhas e milhas…

Bairro do Sapé, em Tomazina, está entre a sede do município de onde faz parte, Quatiguá e Guapirama, mas o longínquo acesso exclusivo por estradas de terra dificulta .

Agora, no quesito isolamento, se tem um lugar que “domina a questão” é o bairro do Sapé, em Tomazina. Há mais de 30 km de distância da sede do município, e com a maioria absoluta desta quilometragem sendo por estradas de terra, as pessoas do lugarejo tem maior facilidade em ir para outras cidades, como Quatiguá, principalmente, e Guapirama.

E essa preferência é facilmente entendida pela equipe de reportagem da Folha Extra, que sofre com a poeira até chegar ao Sapé. Ali, assim como praticamente em todos os lugares visitados nesta série de reportagens, a calmaria domina o ambiente.

A rua que se entra no bairro é a principal e foi recentemente calçada – além dela, apenas uma via pública do lugar tem pavimentação. Um ou outro comércio, e poucas pessoas circulando. Nesta rua se encontram ainda o antigo posto de saúde do Sapé, assim como o novo, que já teve sua construção concluída, mas ainda não foi inaugurado, e a quadra poliesportiva, que passa por reforma.

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Conversando com alguns dos aproximadamente mil moradores que vivem ali se toma ciência da preferência pela ida para outros municípios que não Tomazina, em virtude da distância. Quatiguá, por exemplo, está há “apenas” cerca de 15 km de distância.

No quesito emprego, algo surpreendente: boa parte dos moradores locais está empregado em uma grande indústria alimentícia em Joaquim Távora. São três ônibus diariamente que partem do Sapé rumo à essa empresa.

Jaime Batista de Jesus tem 61 anos e desde 1966 é morador do bairro. Entre diversas histórias, o aposentado conta que quando chegou ali o lugar era bem menor e que tem progredido nos últimos anos.

“Quando vim morar aqui o Sapé era bem miudinho, poucas casas e todas de barro. Com o tempo as coisas foram melhorando, e hoje em dia, em vista do que era, está muito bom”, relata Jaime.

Entre os elogios dos moradores estão a iluminação pública, o serviço de abastecimento de água e o calçamento da rua principal. “As ruas são bem iluminadas e o lugar está melhorando cada dia mais. Era um sonho nosso ver essa rua calçada e hoje foi realizado. As casas antes eram só de barro, depois passaram para madeira e agora são quase todas de tijolo. Não dá pra reclamar muito não”, afirma.

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Por LUCAS ALEIXO

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Séries

Aldeia de Pinhalzinho

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Os avançados índios do Norte Pioneiro

Aldeia Indígena do Pinhalzinho, no município de Tomazina, é dona de uma riqueza cultural única, que tem todos os princípios indígenas aliados à modernidade do homem branco.

A última expedição rumo ao interior do Norte Pioneiro tem a equipe da Folha Extra indo até a Aldeia Indígena do Pinhalzinho, em Tomazina, nesta que é a “cereja do bolo” da série de reportagens.

Embora a aldeia faça parte do município de Tomazina, fica próxima à sede do município de Guapirama. E logo na chegada já se nota que, ainda que seja uma aldeia guarani, em nada lembra essas tribos mostradas exaustivamente na televisão, com pessoas nuas pintadas e dançando na frente de um amontoado de ocas.

Ali existe uma rica mistura entre modernidade e tradições indígenas, que resultam em uma sociedade democrática, ainda composta por cacique e pagé, mas que toma decisões coletivas sempre visando a manutenção da cultura indígena e o bem estar do grupo, porém com casas com TV a cabo, internet e carros.

Neste ambiente as 160 pessoas da aldeia vivem com uma qualidade de vida superior aos moradores dos distritos visitados na série. Com poder direto de participação nas decisões dos rumos a serem tomados, ensino fundamental de qualidade e um posto de saúde bem melhor que a maioria dos postos de saúde que existem em toda a região, os índios impressionam pelo progresso e avanço que conquistaram, contrariando diversos preconceitos contra sua cultura.

O passeio pela aldeia é conduzido por Reginaldo Alves, filho do cacique local e participante de movimentos indígenas de todo Brasil, que conta em detalhes o dia a dia da aldeia.

A primeira parada é no posto de saúde e já chama a atenção – especialmente depois de conhecer tantos problemas relacionados a esse tipo de estabelecimento durante as expedições desta série. Ali uma equipe médica composta por médico, enfermeira padrão, auxiliar de enfermagem e agente de saúde trabalham diariamente para manter em dia a saúde dos moradores dali.

O posto ainda conta com um consultório odontológico e remédios em quantidade suficiente para atender a demanda da aldeia. Vale lembrar que, exceto o agente de saúde, toda a equipe que trabalha no posto de saúde é composta por “brancos”.

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Já na escola Yvy Porã, que em português quer dizer Terra Boa, e é o nome indígena também da própria aldeia, embora os professores não sejam índios, a direção da instituição é de Jeferson Gabriel Domingues, índio e formado em história.

Ali tanto Reginaldo quanto Jeferson destacam a importância de uma educação que ensine as matérias do ensino regular (até porque a escola é estadual), já que muitos índios saem da aldeia para fazer o ensino médio e até o faculdade em outros lugares, porém não abrem mão de instruir os alunos na cultura indígena.

“A gente luta para que a educação aqui seja de qualidade, mas que também priorize as questões culturais indígenas, para que além do conhecimento a gente forme uma identidade cultural nos jovens da aldeia”, afirma Jeferson.

E essa relação, especialmente dos jovens, entre os índios e o “mundo branco” é uma das grandes preocupações do diretor da escola. “Nós temos um lema aqui que é: posso ter tudo o que você tem, sem deixar de ser aquilo que eu sou”.

Agora a luta é para que a escola passe a ter também ensino médio. “Estamos lutando para que a gente ofereça o ensino médio também, queremos um sistema educacional indígena. Isso sem dúvida seria muito importante para manutenção dos nossos costumes”, explica Reginaldo.

A liderança indígena também conta que a aldeia está tentando começar a cultivar produtos orgânicos, começando pela horta na própria escola. Além disso, Reginaldo destaca que na aldeia existe uma variedade grande de frutas e plantas medicinais, usadas regularmente na rotina dos moradores locais.

Já os 300 alqueires de terra de posse da aldeia têm uso variado. São plantações, como arroz e feijão, pastagem e mata fechada. Claro que uma parte disso é de uso coletivo da aldeia. Mas aí entra uma das reclamações dos índios: de acordo com eles, mais de 1000 alqueires foram tomados por posseiros. “Tem fazendas inteiras dentro de terras indígenas e infelizmente é muito difícil de recuperar isso, pra não dizer impossível”, lamenta Reginaldo.

Mas questões legais à parte, após uma boa volta pela aldeia chega-se à casa do pagé, que é o guia espiritual da aldeia. E aqui, antes de aprofundar nas crenças dos índios, vale o destaque para o “papel social” das lideranças e o respeito tido por eles. “O pagé tem a função de orientar espiritualmente, aconselhar, dar os nomes indígenas para as crianças. Diferente do cacique, que cuida da parte política e burocrática, mas sempre ouvindo as lideranças e os conselhos, já que temos conselhos de saúde, de educação, e por aí vai”, explica Reginaldo, mostrando uma organização social exemplar e democrática, e que atua assim não só na teoria, mas na prática também.

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Chegando à residência de José da Silva, o pagé, a equipe de reportagem é bem recepcionada por ele e pela esposa, que explicam a ordem dos rituais e a importância da fé. Em uma longa conversa, o pagé conta sobre seu ofício e inclusive leva a equipe de reportagem até a casa de reza, uma espécie de igreja, feita toda em sapé. Entre os rituais mais comuns estão o pedido por chuvas e bênçãos para crianças. “Quando vai ter um ritual tem que se preparar. Alguns chegam a durar até nove dias. Então tem uma alimentação diferenciada, não pode dormir junto com a esposa. Tem que estar purificado para conseguir”.

E quando questionados se os pedidos por chuvas, por exemplo, funcionam, os índios são unânimes em dizer sim. “A gente pede com fé, e dentro de até três dias chove, não tem erro”, explica o pagé.

Apesar das crenças indígenas se manterem fortes, dentro da aldeia existem índios católicos e evangélicos, provando que há liberdade de escolha. “Ninguém é obrigado a nada. Cada um é livre para seguir a religião que quiser”, detalhe Reginaldo.

A visita termina com a equipe de reportagem levando uma ótima impressão de lugar, fazendo ter a convicção que chamar moradores de locais subdesenvolvidos de índios é um erro grotesco, já que a Aldeia do Pinhalzinho prova que os índios, em diversos aspectos do convívio coletivo e formação cultural, estão bem a frente dos brancos. E no Norte Pioneiro, uma região ainda com sérias carências primárias, os índios mostram ser uma das poucas partes que de fato evoluíram com o passar dos anos.

Por LUCAS ALEIXO

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